É possível sentir o Antropoceno?
Mudanças climáticas e forma literária
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.62936Palavras-chave:
Forma Literária, Antropoceno, Mudança Climática, CapitalismoResumo
Neste artigo, partimos da diatribe que Amitav Ghosh (2016) lança aos escritores do seu tempo, alegando que a literatura contemporânea não representa as catástrofes ambientais decorrentes da mudança climática. A partir disso, mostra-se em que se respalda a afirmação de Ghosh e como ela é contestada pela concepção de Mark Bould (2021), para quem a literatura e a arte contemporâneas nada fazem além de refletir sobre as mudanças climáticas, de modo que o Antropoceno é o inconsciente estético do nosso tempo. Depois, o texto debate a visão de Caroline Levine (2023), que busca um ativismo humanista por meio da instrumentalização afirmativa das formas literárias, a fim de que elas possam responder melhor aos desafios climáticos do presente. Ao final, o artigo esboça uma visão complementar, ao chamar a atenção para as condições materiais nas quais a literatura se envolve hoje em dia, tanto no que diz respeito à mudança climática, quanto, especialmente, no tocante ao modo de produção da literatura, afetado pelas novas tecnologias de informação e pelo sistema econômico capitalista em sua fase atual. Em conclusão, defende-se que o problema das formas literárias no Antropoceno é fruto das condições de produção nas quais a literatura se encontra com as condições materiais de reprodução da vida social, de modo que as análises críticas devem pautar-se pela compreensão dos diversos fenômenos que as cercam.
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