O palco assombrado de Arthur Miller
uma leitura de The Enemy of the People (1951)
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.63101Palavras-chave:
Henrik Ibsen, Arthur Miller, fantasmagoria, teatro político, Performance PhilosophyResumo
Arthur Miller escreve The Enemy of the People (1951), baseada na peça homônima do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, encomendada a ele pelo diretor Robert Lewis, no auge do Macartismo. Este artigo pretende pensar como o fantasma de Henrik Ibsen assombra a reescritura da peça de Arthur Miller em uma conversa entre Antonio Negri, em seu ensaio “Specter’s Smile” (2008), quando este remete à presença do Unheimlich na pós-modernidade tardia e, como nela estamos inseridos; Freddie Rokem, em Philosophers and Thespians (2010), quando o filósofo israelense coloca a aparição do fantasma no palco apontando para um passado ambivalentemente concebido como falido e nostálgico e para um futuro incerto e inconsequente e como a questão da moral, abordada largamente por Friedrich Nietzsche, afeta esse encontro no tempo. O efêmero aprendizado com o passado, a incompreensão do presente e a ansiedade em relação ao futuro fazem os mortos voltarem para clamar, através de palavras, o presente e o futuro. Miller, ao reescrever a peça de Ibsen, denuncia os horrores inerentes aos inquéritos presididos pelo Comitê de Atividades Antiamericanas trazendo para o palco o fantasma da memória que assombra os Estados Unidos.
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