Costurar a memória, mas deixar um fio solto

Rosana Paulino e o presente do passado espiralar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.63154

Palavras-chave:

Rosana Paulino, memória, tempo espiralar, bordado

Resumo

Este artigo procura analisar a obra de Rosana Paulino tendo em vista debates contemporâneos sobre memória e ecologia. A partir do catálogo A costura da memória (2018), em especial das obras que envolvem artes do fio, argumenta-se que a artista opera uma recomposição crítica dos escombros coloniais, costurando – literal e metaforicamente – feridas históricas que permanecem abertas. Sua prática artística evidencia a persistência da violência racial no presente, articulando imagens, procedimentos e arquivos para escancarar silenciamentos, apagamentos e formas de resistências. O texto dialoga com Malcom Ferdinand, Édouard Glissant, Saidiya Hartman e Leda Maria Martins para pensar, respectivamente, a dupla fratura colonial-ecológica, a poética da relação, a jornada atlântica da escravidão e o tempo espiralar. Paulino, ao retomar o Atlântico como ferida e fluxo, remonta um regime de memória que não busca encerrar o passado, mas reinscrevê-lo no corpo e no presente, deixando um fio solto que convoca à reflexão, à responsabilidade e à reconstrução de mundos comuns.

Biografia do Autor

  • Marina Baltazar Mattos, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) | Belo Horizonte | MG | BR

    Marina Baltazar é recém-doutora (2026) em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários da Universidade Federal de Minas Gerais, onde desenvolveu a pesquisa "O fio e o fim: bordado e escrita no Brasil e na América Latina", com bolsa CAPES entre abril de 2024 e 2026. Mestra em Literaturas Modernas e Contemporâneas pelo mesmo programa (2021), com bolsa de financiamento do CNPq, e dissertação sobre vida e obra, realidade e ficção a partir de José Leonilson. Licenciada em Letras pela mesma instituição (2018), atuou como bolsista de Iniciação Científica PROBIC/FAPEMIG, com pesquisa voltada para correspondência e tradução entre escritores mineiros e estrangeiros, presente no Acervo de Escritores Mineiros (AEM - UFMG). Atualmente, trabalha com poesia contemporânea brasileira, arte latino-americana, bordado e psicanálise. Possui experiência em ensino de leitura e literatura, além de produção de textos para diversos meios. Participa dos grupos de pesquisa NAVE (Natureza, Violência e Ecocrítica) e ESCAPE (estudos sobre corpo, arte e poesia experimental), ambos vinculados à Faculdade de Letras da UFMG.

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Publicado

2026-06-08

Edição

Seção

Dossiê: O que podem a arte e a literatura frente à crise socioecológica?

Como Citar

Costurar a memória, mas deixar um fio solto: Rosana Paulino e o presente do passado espiralar. (2026). Caligrama: Revista De Estudos Românicos, 31(1), 118-131. https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.63154