Imaginando mundos outros
a crise socioecológica negra no universo de Pet, de Akwaeke Emezi
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.63170Palavras-chave:
literatura afrodiaspórica, utopias negras, ecocrítica, estudos decoloniais, Akwaeke EmeziResumo
Este artigo analisa o romance nigeriano Pet, de Akwaeke Emezi (2019), a partir de perspectivas ecocríticas e decoloniais, com foco na construção da sociedade utópica retratada na obra e nas tensões entre memória, esquecimento e justiça que a atravessam. Ambientada em Lucille, uma cidade afrodiaspórica pós-revolucionária que se acredita livre de mazelas sociais, a narrativa revela, com a aparição da criatura fantástica Pet, que a violência persiste nas sombras do silêncio e da negação do passado. Metodologicamente, esta pesquisa de caráter qualitativo e abordagem bibliográfica, articula as concepções do “fantástico” segundo David Roas (2014), que o entende como um dispositivo de desestabilização do real, a referencias da ecocrítica como Donna Haraway (1991; 2016) e Rosi Braidotti (2013), e a aportes teóricos do pensamento decolonial, com destaque para Leda Maria Martins (2021), que em sua noção de tempo espiralar, contribui para a leitura dos traumas históricos de Lucille, marcados por violências coloniais que impactam a construção do futuro da sociedade. Já a discussão sobre memória e esquecimento se ancora em Paul Ricœur (2007), que aponta como o silenciamento do passado compromete a possibilidade de um presente fundado no reconhecimento das feridas históricas. Em conclusão, a obra Pet é compreendida como um romance que propõe uma reconfiguração ética da justiça social em comunidades negras, norteada pelo enfrentamento do passado.
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