A sátira na cena teatral de Milson Henriques em Animais, não desanimais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.64360

Palavras-chave:

Milson Henriques, humor satírico, teatro brasileiro, ditadura militar, censura

Resumo

This paper aims to identify satire as a humorous device in the play Animais, não desanimais (1969), by Milson Henriques (1938-2016), a playwright, poet, and cartoonist. Produced during Brazil’s military dictatorship and subjected to official censorship, the play reveals itself as a socio-political allegory constructed through a fabulistic universe, by means of which a subtle critique is directed at the Brazilian government, hegemonic moral values, and, above all, the mechanisms that restricted individual and collective freedoms. To this end, bHenriques combines satire with linguistic and scenic resources – such as wordplay, irony, caricature, and the grotesque – in order to intensify the comic effect and transform the theatrical text into a form of symbolic resistance within a historical context marked by oppression and silencing. Grounded in qualitative research, the study is based on a critical reading of the play from a linguistic-literary perspective. The analysis draws on Vladimir Propp’s (1992) linguistic approach and on Northrop Frye’s (2014) contributions to satire and fictional modes, seeking to understand how the play’s formal and symbolic procedures operate in the construction of humor of a critical nature.

Biografia do Autor

  • Alessandra Moraes Padilha Soares, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) | Vitória | ES | BR

    É licenciada em Letras – Língua Portuguesa e Literatura e mestra em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Atua como professora de Língua Portuguesa, Literatura e Produção Textual na educação básica. Desenvolve pesquisas na área de Literatura e Teatro, com interesse nas relações entre humor, representação do feminino, dramaturgia e contexto histórico, especialmente na produção teatral do Espírito Santo.

  • Andressa Zoi Nathanailidis, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) | Vitória | ES | BR

    É professora do Departamento de Literatura da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), atuando na área de Teoria Literária e Literaturas de Língua Portuguesa. É graduada em Comunicação Social, Música, Direito e Letras, mestre em Estudos Literários e doutora em Letras pela UFES. Sua tese de doutorado, A Canção dos Deslocados: Rap e (I)Migração em Tempos Globalizados (2014), orientada pelo Prof. Dr. Jorge Luiz do Nascimento, analisa produções de rap transnacional sob perspectivas culturais e estéticas. Sua pesquisa concentra-se em intermidialidade, literatura e música, migração, tradução cultural e identidades híbridas. Integra o GT Intermidialidade da ANPOLL e participa regularmente de eventos acadêmicos. É também autora de obras de poesia e prosa.

Referências

AMBRÓSIO, A. N.; BUAIZ, A. O artista Milson Henriques na cultura capixaba: videodocumentário. 2009. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Jornalismo) – Faculdade Estácio de Sá de Vitória, Vitória, 2009.

AZEVEDO FILHO, D. S. de. A literatura brasileira contemporânea do Espírito Santo. 1999. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1999. Disponível em: https://repositorio. unicamp.br/ acervo/detalhe/ 279958. Acesso em: 8 jan. 2026.

BENJAMIN, W. A origem do drama trágico alemão. São Paulo: Brasiliense, 1984.

BAKHTIN, M. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 2002.

CID, D. H. K. Multi-Milson-mídia-Henriques: o artista e a cena cultural capixaba nas décadas de 1960-70. Revista Ágora, Vitória, n.14, 2011. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/agora/article/view/5022. Acesso em: 11 dez. 2024.

CID, D. H. K. Ensaio geral: a ação da Censura sobre a arte teatral no Espírito Santo durante a Ditadura Militar. Cadernos do Tempo Presente, n. 21, p. 84-97, set./out. 2015. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/tempo/article/view/4603/3806. Acesso em: 24 jan. 2026.

CID, D. H. K. A revolução dos caranguejos: O Teatro no Espírito Santo durante a Ditadura Militar. Vitória: Cousa, 2015.

CID, D. H. K. Panorama do teatro no Espírito Santo. Vitória: SESC Palco Giratório, 2017. Disponível em: https://www2.sesc.com.br/wps/wcm/connect/72cf1ac6-7580-48e6-97db-bd99a1b1a283/Panorama+do+Teatro+no+Esp%C3%ADrito+Santo++Duilio+Kuster.pdf?MOD=AJPERES&CONVERT_TO=url&CACHEID=72cf1ac6-7580-48e6-97db-bd99a1b1a283. Acesso em: 14 jan. 2025.

COSTA, R. da; SILVA, M. C. da. Trabalha e Confia: as idades médias capixabas. In: AMARAL, C.; LISBÔA, J. (org.). A historiografia medieval no Brasil: de 1990 a 2017. Curitiba: Prismas, 2019. p. 281-308. Disponível em: https://www.ricardocosta.com/artigo/trabalha-e-confia-idades-medias-capixabas. Acesso em: 20 jan. 2026.

DIAS, A. Literatura brasileira e dramaturgia nacional: fronteiras e passagens. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v.22, n. 39, 2020.

FERNANDES, M. “Antigamente os animais falavam. Hoje escrevem.” Jornal GGN, 5 abr. 2013. Disponível em: https://jornalggn.com.br/cultura/frases-de-millor-fernandes/. Acesso em: 20 jan. 2026.

FIGUEIREDO, C. A. A ditadura militar no Brasil e o teatro: memória e resistência da classe artística. Revista Eletrônica de Ciência Política, Curitiba, v. 6, n. 2, p. 7-26, jul./dez. 2015. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/politica/article/view/44240. Acesso em: 31 ago. 2025.

GIROUX, S. M. Nô – o nascimento do teatro japonês. Estudos Japoneses, v. 8, p. 61-70, 1988.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.

FRYE, N. Anatomia da crítica: quatro ensaios. São Paulo: Cultrix, 2014.

JESUS, M. S. de. Os festivais de música popular brasileira e a indústria cultural no regime militar. 2015. Monografia (Licenciatura em História) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2015.

GAMA FILHO, O. História do teatro capixaba: 395 anos. Vitória: Fundação Cultural do Espírito Santo; Fundação Ceciliano Abel de Almeida, 1981.

GOMES, R. M. Um capixaba de Campos. Vitória, [1975?]. Acervo Milson Henriques, caixa 26.

HENRIQUES, M. A. Animais, não desanimais ou Festival da Bicharada, 1969.

KAYSER, W. O Grotesco: configuração na pintura e na literatura. São Paulo: Perspectiva, 1986.

LOBATO, M. Fábulas. São Paulo: Monteiro Lobato & Cia., 1922.

MACIEL, R. J. R.; SANTANA, G. F. de. A semiótica do Underdog: o Caminho de Sangue de Yabuki Joe. Revista de Estudos da Ásia, Recife, v. 1, n. 1, p. 1-18, 2025. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas /estudosasia/ article/ view/ 26 53 56. Acesso em: 21 jan. 2025.

NOGUEIRA, A. O dia em que vaiaram a vitória de Chico Buarque: a música de resistência de Vandré e o Festival Internacional da Canção. Aventuras na História, São Paulo, 4 abr. 2019. Disponível em: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/ reportagem /o-dia-em-que-vaiaram-vitoria-de-chico-buarque.phtml. Acesso em: 31 ago. 2025.

PROPP, V. Comicidade e riso. São Paulo: Ática, 1992.

RIBEIRO, F. A. O Espírito Santo não respeita seus escritores. A Gazeta, 4 jul. 2022. Disponível em: https://www.agazeta.com.br/colunas/francisco-aurelio-ribeiro/o-espirito-santo-nao-respeita-seus-escritores-0722. Acesso em: 24 jan. 2026.

RODRIGUES, V. Perfil poético – para Milson Henriques. In: Academia Espírito-Santense de Letras (org.). Escritores e obras literárias de Vitória. Vitória: Secretaria Municipal de Cultura, 2020.

SERVIÇO SOCIAL RURAL. Conselho Regional do Espírito Santo. Desenvolvimento municipal e níveis de vida no estado do Espírito Santo. Vitória, 1962.

SOETHE, P. A. Sobre a sátira: contribuições da teoria literária alemã na década de 60. Fragmentos, Florianópolis, n. 25, p. 155-175, 2003.

Downloads

Publicado

2026-10-02

Edição

Seção

Dossiê: Literatura, Teatro e Sociedade

Como Citar

A sátira na cena teatral de Milson Henriques em Animais, não desanimais. (2026). Caligrama: Revista De Estudos Românicos, 31(3), 112-127. https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.64360