Satire in the Theatrical Scene of Milson Henriques in Animais, não desanimais
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.64360Keywords:
Milson Henriques, satirical humor, Brazilian theatre, military dictatorship, censorshipAbstract
O presente trabalho tem por finalidade identificar a sátira, enquanto recurso humorístico, na peça Animais, não desanimais (1969), de Milson Henriques (1938-2016) – dramaturgo, poeta e cartunista. Produzida durante o regime militar brasileiro e alvo de censura oficial, a obra revela-se como uma alegoria de caráter sociopolítico, construída a partir do universo das fábulas, por meio da qual se estabelece, de modo sutil, uma crítica ao governo brasileiro, aos valores morais hegemônicos e, principalmente, aos mecanismos de cerceamento das liberdades individuais e coletivas. Para tal, o autor articula a sátira a recursos linguísticos e cênicos – trocadilhos, ironia, caricatura e grotesco – para potencializar o efeito cômico e transformar o texto teatral em uma ferramenta de resistência simbólica diante de um contexto histórico marcado por opressões e silenciamentos. Partindo dessa premissa, a pesquisa situa-se nos estudos qualitativos, baseando-se em uma leitura crítica da obra sob a perspectiva linguístico-literária. A análise articula a abordagem linguística de Propp (1992) às contribuições de Frye (2014) acerca da sátira e dos modos ficcionais, buscando compreender como os procedimentos formais e simbólicos da peça operam na construção do humor de natureza crítica.
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