Vento e corisco

tempestade intertextual em Uma A outra tempestade de Guilherme Gontijo Flores e André Capilé e Próspero morreu de Ana Luísa Amaral

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.64774

Palavras-chave:

Guilherme Gontijo Flores e André Capilé, Ana Luísa Amaral, intertextualidade, dialogia, tradição

Resumo

Quase cinco séculos depois, a peça de William Shakespeare, A tempestade, continua a mobilizar releituras e conduzir a revisão de um imaginário já há muito engessado. A retomada de alguns personagens, precisamente Próspero e Caliban, tem sido fortificada por correntes e estudos pós-coloniais que enfatizam as violências de Próspero perpetradas tanto em Caliban quanto em Ariel, personagens escravizados. Considerando esses aspectos, as obras Uma A Outra Tempestade (2022), de Guilherme Gontijo Flores e André Capilé, e Próspero morreu (2011), de Ana Luísa Amaral, insurgem-se e criam novos universos e versões muito próprias para a peça de Shakespeare e, no caso de Flores e Capilé, também para a adaptação que Aimé Césaire fez do texto shakespeareano. Este trabalho busca, portanto, colocar em diálogo essas duas obras, destacando alguns elementos intertextuais que tornam os textos porosos e dialógicos. Intenciona-se o desdobramento que essas conversações estabelecem nas obras, mobilizando alguns estudos teórico-críticos acerca dessas engrenagens, tais como os basilares conceitos de intertextualidade, cunhado por Julia Kristeva (1974), e de citação, elaborado por Antoine Compagnon (2007), além de outros textos que auxiliam na análise literária das obras. Assim, trabalha-se com a hipótese de que a inserção de elementos intertextuais condiciona outros tratamentos da obra clássica de Shakespeare, além de possibilitar amplo diálogo literário.

Biografia do Autor

  • Rodolpho Pereira do Amaral , Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) | Rio de Janeiro | RJ | BR

    Licenciado em Letras (Português/Literaturas) pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Em 2011, participou da seleção para o Programa de Licenciaturas Internacionais (PLI) destinado a acontecer em Portugal. Obtendo aprovação, estudou por dois anos, amparado por bolsa CAPES, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC/UC), o que lhe rendeu uma dupla diplomação. Foi bolsista PNAP (Programa Nacional de Apoio à Pesquisa) da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) no período de 2014 a 2015, integrando o projeto de pesquisa A Biblioteca Invisível: livros e documentos malditos, esquecidos e censurados. É mestre em Estudos de Literatura pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com ênfase em Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, período coberto por bolsa de pesquisa CAPES. É também especialista em Literatura Portuguesa (UERJ). Atualmente, é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e bolsista CAPES.

  • Andreia Alves Monteiro de Castro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) | Rio de Janeiro | RJ | BR

    Professora Adjunta de Literatura Portuguesa e de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ (2019), atuando na graduação e na pós-graduação. JCNE (FAPERJ) desde 2024. Procientista da UERJ (desde 2022). Colíder do grupo Pesquisas Literárias Luso-Brasileiras (UERJ/Real Gabinete Português de Leitura). Membro associado ao Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Pesquisadora da Cátedra Almeida Garrett (UERJ).

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Publicado

2026-10-02

Edição

Seção

Dossiê: Literatura, Teatro e Sociedade

Como Citar

Vento e corisco: tempestade intertextual em Uma A outra tempestade de Guilherme Gontijo Flores e André Capilé e Próspero morreu de Ana Luísa Amaral. (2026). Caligrama: Revista De Estudos Românicos, 31(3), 153-167. https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.64774