Um olhar contemporâneo sobre a representação da condição feminina no teatro setecentista
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.61886Schlagwörter:
entremez, género, casamento, teatro, estudos de receçãoAbstract
Este artigo analisa um conjunto de entremezes portugueses do século XVIII, preservados na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e na Biblioteca do Teatro Nacional D. Maria II, que abordam conflitos conjugais, focando-se na forma como as figuras femininas aí são retratadas. O estudo explora a recorrência de enredos em que as mulheres desafiam a autoridade dos maridos, resultando em discussões e ameaças. Apesar de estes textos reforçarem a ordem patriarcal e refletirem uma sociedade onde o papel das mulheres estava confinado ao casamento e ao lar, também expõem tensões sociais e o desejo feminino por maior autonomia. O estudo contextualiza histórica e socialmente estes entremezes, discutindo o seu papel como veículos de moralização e conformação social, mas também como espaços onde se tornavam visíveis os primeiros questionamentos sobre o estatuto da mulher. Um olhar contemporâneo sobre estes enredos, permite compreender que apesar de apresentarem um final que reforça a submissão feminina, estas peças evidenciam um debate emergente sobre os direitos e desejos das mulheres na sociedade portuguesa do século XVIII.
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NOVO e gracioso entremez intitulado A grande bulha e desordem que teve a mulher com o marido pela não deixar ir ver os arlequins. Lisboa: Impresso na oficina de António Gomes. 1793. Biblioteca do Teatro Nacional D. Maria II. Disponível em: http://id.bnportugal.gov.pt/bib/rnod/315258. Acesso em 1 set. 2026.
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NOVO e gracioso papel intitulado Modo de emendar a desordem da mulher com o marido pela não deixar jogar o Entrudo e A bulha da velha com os rapazes por amor dos rabos levas. Lisboa: Impresso na oficina de Domingos Gonçalves, [17--?]. Biblioteca do Teatro Nacional D. Maria II. Disponível em: http://id.bnportugal.gov.pt/bib/rnod/316543. Acesso em: 1 set. 2026.
NOVO entremez intitulado A grande bulha que teve a mulher com seu marido por deitar dinheiro nas sortes e lhe sair em branco. Lisboa: Impresso na oficina de Domingos Gonçalves, 1787. Biblioteca do Teatro Nacional D. Maria II. Disponível em: http://id.bnportugal.gov.pt/bib/rnod/315783. Acesso em: 01 set. 2026.
NOVO entremez intitulado A grande desordem que teve o marido com a mulher por não querer que trouxesse o topete à Marrafe. Lisboa: Impresso na oficina de António Gomes. [17--?]. Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (TC 440).
NOVO papel gracioso intitulado A grande contenda que teve a mulher com o marido pela não deixa ir ver as barbas do cacho d’uvas ou O fruto do bom conselho. Lisboa: Impresso na oficina de António Gomes, 1792. Biblioteca do Teatro Nacional D. Maria II. Disponível em: http://id.bnportugal.gov.pt/bib/rnod/315848. Acesso em: 1 set. 2026.
O NOVO e gracioso entremez intitulado A grande desordem que o marido teve com a mulher por ir ver o fogo e as danças sem sua licença e o fatal sucesso, que lá lhe aconteceu. Lisboa: Impresso na oficina de António Gomes, 1793.
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