Entre Desejo e Dominação
o Africano em Um Dia Chegarei a Sagres de Nélida Piñon
DOI:
https://doi.org/10.17851/2359-0076.46.75.28-47Palavras-chave:
Nélida Piñon, colonialismo, alteridade, sexualidadeResumo
O artigo analisa o romance Um Dia Chegarei a Sagres (2020), de Nélida Piñon, com o objetivo de compreender a representação do “Africano” Akin e a sua relação com Mateus, narrador e protagonista. O estudo utiliza método de análise literária crítica, articulando referências históricas, sociais e culturais do século XIX com teorias sobre colonialismo, alteridade e sexualidade. O resultado da investigação demonstra que a relação homoafetiva entre Mateus e Akin se inscreve num espaço ambíguo, ora reproduzindo dinâmicas de poder e dominação colonial, ora subvertendo normas sociais e morais da época. A análise evidencia que Mateus, marcado pela pobreza e exclusão, partilha com Akin uma condição marginal, o que desafia leituras simplistas de exploração imperial. Conclui-se que Piñon constrói uma narrativa de tensão e resistência, em que desejo e dominação se entrecruzam, revelando tanto a vulnerabilidade dos sujeitos quanto a possibilidade de redefinição identitária. O artigo demonstra que a obra de Piñon problematiza as intersecções entre desejo, poder e moralidade, projetando no percurso de Mateus a crise de identidade individual e nacional, e sublinhando a relevância da literatura como espaço de reflexão crítica sobre colonialismo e sexualidade.
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