A estetização da alteridade cigana nos entremezes do século XVIII

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/2359-0076.46.75.191-205

Palavras-chave:

entremez , literatura portuguesa , mulheres ciganas , anticiganismo

Resumo

A partir da leitura crítica dos entremezes postos em circulação durante o século XVIII português, pretende-se demonstrar o modo como as mulheres ciganas foram representadas pela literatura portuguesa daquele momento, enquanto personificadoras das práticas mágicas pré-científicas, supostamente avessas à racionalidade moderna. Através do tensionamento imanente à produção da obra de arte, discute-se a aparente quebra de expectativa produzida pelas narrativas analisadas quando comparadas com os discursos que insistiam na imagem das ciganas trapaceiras. Sendo assim, o objetivo é evidenciar o processo de estetização da alteridade cigana, enquanto forma particular da lógica identitária pertencente ao sistema de representações do pensamento moderno. O intuito é explicitar os efeitos violentos desta localização discursiva das mulheres ciganas enquanto supostamente exteriores à sociabilidade moderna, na medida em que reitera os princípios básicos da exclusão social produzida pelo anticiganismo.

Biografia do Autor

  • Juliana da Silva Henrique, Universidade de São Paulo (USP) | São Paulo | SP | BR

    Psicanalista Clínica, Doutora em História Econômica (USP), Pós-doutorado (IEB/USP)

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Publicado

2026-08-27

Edição

Seção

Dossiê: Figurações do Outro nas Literaturas de Língua Portuguesa

Como Citar

A estetização da alteridade cigana nos entremezes do século XVIII. (2026). Revista Do Centro De Estudos Portugueses, 46(75), 190-204. https://doi.org/10.17851/2359-0076.46.75.191-205