“Não foi nada disso que nós combinamos”
Vaicomdeus, SARL, de Júlio de Almeida, uma escrita ficcional da história angolana
DOI:
https://doi.org/10.17851/2359-0076.46.75.163-174Palavras-chave:
Literatura angolana, ficção, História, Júlio de AlmeidaResumo
Vaicomdeus, SARL, obra publicada pelo escritor angolano Júlio de Almeida em 2017, estabelece, através dos (des)encontros das personagens Eugênio e Cecília, uma enredada relação entre a História factual angolana e a criação literária. Dividido em três partes — “Vivos” (lento ma non troppo); “Mortos” (allegro com spirito); e “Renascidos” (finale: alla breve), o romance narra, ao longo de quatro dias nos quais a diegese se desenvolve, quase quarenta anos da história do país, das lutas de libertação aos conflitos civis que as sucederam. Diversos momentos da história nacional são discursivamente revisitados por meio de eventos, personagens, e de uma memória partilhada entre os protagonistas. Como mais uma modulação ou tonalidade da história angolana contemporânea, a obra de Júlio de Almeida convida-nos insistentemente a confrontar as memórias fictícias das personagens à trajetória política do autor, sua efetiva participação nas FAPLA e, posteriormente, nos governos de Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos. Desta memória geracional convocada narrativamente pelas personagens, interessa-nos os posicionamentos convergentes e/ou divergentes, filiações e confrontos, acerca das mudanças políticas e sociais notadamente vivenciadas em Angola antes e após a conquista da independência. Para nossa leitura da obra em questão, apoiamo-nos nos estudos de Achille Mbembe e Zygmunt Bauman, entre outros.
Referências
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