CHAMADA PARA SUBMISSÕES - 1º semestre de 2026
CHAMADA PARA SUBMISSÕES
Revista do Centro de Estudos Portugueses
Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais
1º Semestre de 2026
Organizadores:
Profa. Dra. Roberta Guimarães Franco (UFMG/CNPq/FAPEMIG)
Profa. Dra. Sandra Sousa (University of Central Florida)
Profa. Dra. Renata Flávia da Silva (UFF)
Prof. Dr. Daniel Marinho Laks (UFSCar/CNPq)
Data-limite para envio de originais: 30/04/2026
Dossiê: Figurações do Outro nas literaturas de língua portuguesa
A literatura sempre foi um espaço propício para a encenação de tensões entre alteridades. Desde a construção de imaginários sobre um povo à afirmação de identidades nacionais, a literatura elaborou a existência de um nós, que só seria possível diante da imagem de um outro, igualmente construído. Giorgio Agamben, em “Construir o inimigo”, propõe que “ter um inimigo é importante, não apenas para definir a nossa identidade, mas também para arranjarmos um obstáculo em relação ao qual seja medido o nosso sistema de valores e para mostrar, no afrontá-lo, o nosso valor.” (2011, p. 12). Roberto Esposito (2010), em Bios – Biopolítica e Filosofia, sugere que se pense a dinâmica entre o social e o político, que visa perpetuar um agrupamento humano específico, a partir do paradigma da imunidade. A figura dialética da imunidade coloca-se na interseção entre a vida e o direito. No sentido biomédico, o termo está ligado “a uma condição de refrangibilidade, natural ou induzida, em relação a uma dada doença por parte de um organismo vivo” (p. 73). Em linguagem jurídica, imunidade refere-se “à isenção, temporária ou definitiva, de um sujeito em relação a determinadas obrigações, ou responsabilidades, às quais normalmente está vinculado” (p. 73). Também Benedict Anderson (2008), em Comunidades Imaginadas, se propôs a pensar os vínculos entre sujeitos na construção de uma ideia de comum que se demarca em relação a certa alteridade. A proposta de Anderson é analisar o nacionalismo “alinhando-o não a ideologias políticas conscientemente adotadas, mas aos grandes sistemas cultuais que o precederam, e a partir dos quais ele surgiu, inclusive para combatê-los” (p. 32). Esta relação limite entre uma comunidade e aqueles que não fazem parte encontra na literatura um espaço propício de figuração, na medida em que o espaço da cultura é exatamente o de construção e propagação dos imaginários que sustentam identidades.
A Revista do Centro de Estudos Portugueses da UFMG convida pesquisadores a refletirem sobre as literaturas de língua portuguesa, em variados contextos e temporalidades, problematizando a construção da outridade, a afirmação de si (subjetiva e coletivamente), as tensões sociais elaboradas pelos textos literários, bem como a recepção desses textos diante de demandas do seu próprio tempo e na longa duração. Nesse sentido, serão bem-vindas contribuições que articulem a relação entre sociedade e política nas literaturas de língua portuguesa, as interfaces dessas literaturas com a história, além das perspectivas estéticas presentes nas produções dos espaços de língua oficial portuguesa.



