Turismo, espaço e tempo social

acepções teóricas da modernidade em movimento

Autores

  • Bruno Pereira Bedim Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

DOI:

https://doi.org/10.35699/2237-549X..13234

Palavras-chave:

Turismo, Tempo, Espaço-mercadoria, Capitalismo, Modernidade

Resumo

Este artigo propõe a concepção do turismo enquanto fenômeno socioespacial nascido das contradições da maquinaria produtiva da modernidade – incorporando inúmeras interfaces capitalistas e seus respectivos mecanismos de expansão ao transformar o próprio espaço (destino turístico) em mercadoria, “fetichizando” lugares e despertando no imaginário do homem moderno o desejo de viajar e consumir paisagens e culturas, movimentar-se pelo mundo e realizar compras por toda parte, fotografar lugares remotos do globo terrestre e para lá ampliar as estruturas de acumulação e reprodução do capital. Dialeticamente, têm-se a massificação dos espaços turísticos e a sua incorporação às esferas produtivas globais sob os respectivos domínios da indústria cultural, processo que se atrela à alienação do uso do tempo de não-trabalho.

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Biografia do Autor

Bruno Pereira Bedim, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Bruno Pereira Bedim é doutorando em Geografia – IGC/UFMG; Professor do Departamento de Turismo – UFOP; Pesquisador do Núcleo de Estudos Terra e Sociedade – IGC/UFMG.

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Publicado

2008-07-01

Como Citar

Bedim, B. P. (2008). Turismo, espaço e tempo social: acepções teóricas da modernidade em movimento. Revista Geografias, 7–22. https://doi.org/10.35699/2237-549X.13234

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