Porosidades civilizacionais e o que elas ensinam para a análise geopolítica
DOI:
https://doi.org/10.35699/2237-549X.2026.58369Palavras-chave:
Afeto; , Performance;, CivilizaçãoResumo
Este artigo, essencialmente epistemológico, foi escrito sob a influência da informação de que o nome Muhammad tornou-se, a partir de 2023, o mais registrado na Inglaterra e no país de Gales. Com viés pós-estrutural e mais-que-representacional, o artigo em questão dedicou-se a pensar, a partir do exemplo dos bebês Muhammad, das inconveniências epistemológicas da consideração de áreas como superfícies isotrópicas. Partindo da teorização de Samuel Huntington acerca da existência de civilizações, o texto teoriza que espacialidades tais como territórios, regiões não devem ser vistas como superfícies monolíticas, sob o risco das análises se mostrarem incapazes de revelar as heterogeneidades que impactam na análise geopolítica.
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