Porosidades civilizacionais e o que elas ensinam para a análise geopolítica

Autores

  • Leonardo Luiz Silveira da Silva Colégio Militar de Belo Horizonte
  • Eduardo Guilherme de Moura Paegle Colégio Militar de Belo Horizonte

DOI:

https://doi.org/10.35699/2237-549X.2026.58369

Palavras-chave:

Afeto; , Performance;, Civilização

Resumo

Este artigo, essencialmente epistemológico, foi escrito sob a influência da informação de que o nome Muhammad tornou-se, a partir de 2023, o mais registrado na Inglaterra e no país de Gales. Com viés pós-estrutural e mais-que-representacional, o artigo em questão dedicou-se a pensar, a partir do exemplo dos bebês Muhammad, das inconveniências epistemológicas da consideração de áreas como superfícies isotrópicas. Partindo da teorização de Samuel Huntington acerca da existência de civilizações, o texto teoriza que espacialidades tais como territórios, regiões não devem ser vistas como superfícies monolíticas, sob o risco das análises se mostrarem incapazes de revelar as heterogeneidades que impactam na análise geopolítica.

Biografia do Autor

  • Leonardo Luiz Silveira da Silva, Colégio Militar de Belo Horizonte

    Graduado em Geografia, Mestre em Relações Internacionais e Doutor em Geografia

  • Eduardo Guilherme de Moura Paegle, Colégio Militar de Belo Horizonte

    Graduação e mestre em História. Doutor em Ciências Humanas - UFSC.

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Publicado

2026-04-14

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Porosidades civilizacionais e o que elas ensinam para a análise geopolítica. (2026). Revista Geografias, 22(1), 1-14. https://doi.org/10.35699/2237-549X.2026.58369