O PROBLEMA DA EXTENSÃO DO CONHECIMENTO NA HIPÓTESE REGULACIONISTA DA ILUMINAÇÃO EM AGOSTINHO DE HIPONA

Autores

  • Daniel Costa Universidade de São Paulo

Palavras-chave:

Iluminação, regra, noção, conhecimento

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar o problema da extensão e do conteúdo da iluminação uma vez que se adote a interpretação regulacionista para a teoria do conhecimento de Agostinho. O regulacionismo, tese defendida por Etienne Gilson, afirma que a iluminação divina do intelecto humano diz respeito ao caráter necessário dos conhecimentos alcançados pela inteligência, e não sobre o conteúdo do conhecimento; assim, a iluminação não teria por função auxiliar na formação de conceitos, mas teria a função de julgar a adequação desses conceitos à verdade. Entretanto, interpretações desse tipo trazem um problema quanto à autonomia cognitiva humana, já que o intelecto seria constrangido externamente em relação ao seu conhecimento. Trataremos, ainda, da crítica sobre a exagerada ênfase na epistemologia que a hipótese regulacionista reverbera. Por fim, e de acordo com o regulacionismo, buscaremos dar uma resposta coerente ao problema da extensão do conhecimento oriundo da iluminação, respeitando tanto a singularidade do raciocínio humano quanto a primazia do conhecimento divino.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Citamos os textos de Agostinho, em língua latina, segundo a edição coletiva S. Aurelii Augustini Opera Omnia: editio latina, organizada por Città Nuova Editrice e Nuova Biblioteca Agostiniana, e disponível em www.augustinus.it. Todas as traduções são de nossa responsabilidade.
BRANDÃO, B. “A união da alma e do Intelecto na filosofia de Plotino”. Kriterion, Belo Horizonte, Vol. 48, Nr. 116, julho/dezembro de 2007.
CAYRÉ, F. “Initiation a la philosophie de saint Augustin”. Paris, Études Augustiniennes, 1947.
DIXSAUT, M. “Platão e a questão da alma”. Tradução de C. S. Agostini. São Paulo: Paulus, 2017.
GILSON, E. “Introdução ao estudo de Santo Agostinho”. Tradução de C. N. Ayoub. São Paulo: Discurso Editorial; Paulus, 2006.
_______. “A filosofia na Idade Média”. Tradução de E. Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
HADOT. “Les niveaux de conscience dans les états mystiques selon Plotin [Levels of consciousness in Plotin's mystical states]”. Journal de Psychologie Normale et Pathologique, 77(2-3), 1980, pp. 243-266.
HESSEN, J. “Teoria do conhecimento”. Tradução de J. V. G. Cuter. Revisão técnica de S. S. Cunha. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
LAGOUANÈRE, J. «Le Saint Augustin d’Étienne Gilson: une lecture de l’Introduction à l’étude de Saint Augustin d’Étienne Gilson». Cahiers d’études du religieux. Recherches interdisciplinaires [En ligne], 16|2016, mis en ligne le 24 juin 2016. [Online]. Disponível em: http://journals.openedition.org/cerri/1591; DOI: 10.4000/cerri.1591 (Acessado em 09 de abril de 2019).
MARROU, H. I. “Saint Augustin et l’augustinisme”. [s.l.]: Maîtres spirituels, 1995.
NASH, R. “The Light of the Mind: St. Augustine’s Theory of Knowledge”. Ohio: Academic Renewal Press, 2003.
PASNAU, R. "Divine Illumination". In: The Stanford Encyclopedia of Philosophy. (Spring 2015 Edition), Edward N. Zalta (ed.). [Online]. Disponível em: https://plato.stanford.edu/archives/spr2015/entries/illumination/ (Acessado em 25 de janeiro de 2019).
RIST, J. M. “Augustine: ancient thought baptized”. Cambridge University Press: Cambridge, 1994.
SCHUMACHER, L. “The “Theo-Logic” of Augustine’s Theory of Knowledge by Divine Illumination”. Augustinian Studies, 41:2, 2010.
SCOTT, D. “Platonic anamnesis revisited”. The Classical Quarterly, 37 (ii), 1987, pp. 346-366.
VAN DER BOS, A. “Augustine on Knowledge Divine Illumination as an Argument against Scepticism”. RMA: Religion & Culture Rijksuniversiteit Groningen Research Master Thesis s2217473, April 2017.
VAN STEENBERGHEN, F. “La philosophie de S. Augustin d'après les travaux du Centenaire (suite et fin)”. Revue néo-scolastique de philosophie, 35ᵉ année, Deuxième série, Nr. 38, 1933, pp. 230-281.

Downloads

Publicado

2020-10-09

Edição

Seção

Artigos