AUTONOMIA DO SIMBOLISMO INCONSCIENTE E EXPRESSIVIDADE NOS SONHOS SEGUNDO MERLEAU-PONTY

Autores

Palavras-chave:

Sonho, Freud, Expressão, Merleau-Ponty

Resumo

Trata o presente artigo de um estudo sobre o modo como Merleau-Ponty  busca extrair, da teoria freudiana dos sonhos, consequências ontológicas concernentes à vinculação expressiva entre as diferentes dimensões da experiência onírica,  especificamente sobre o papel dos restos diurnos na descarga da libido, na realização do simbolismo ou, o que é a mesma coisa, na conversão do simbolismo em algo narrativo e sensível, especificamente afetivo. Conforme se mostrará, para Merleau-Ponty, seja no sonho sonhado seja no sonho relatado podemos verificar, entre a dimensão imaginária (afetiva e narrativa) introduzida pelos restos diurnos, por um lado; e a dimensão simbólica (ou inconsciente) expressa como significante esquecido, por outro; uma sorte de unidade sem coincidência, uma indivisão meramente expressiva. A pergunta deste artigo é - do ponto de vista ontológico - de que modo a indivisão expressiva entre o sonhado e o relatado dispensa o recurso à ideia de uma interioridade transparente?

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Biografia do Autor

Marcos Jose Müller, UFSC

Doutor em História da Filosofia Contemporânea, Titular em Ontologia e Clínica na UFSC, professor permanente dos Programas de Pós-Graduação em Filosofia e Pós-Graduação em Literatura da UFSC

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Publicado

2021-12-07

Como Citar

Müller, M. J. (2021). AUTONOMIA DO SIMBOLISMO INCONSCIENTE E EXPRESSIVIDADE NOS SONHOS SEGUNDO MERLEAU-PONTY. Revista Kriterion, 62(150). Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/kriterion/article/view/25798

Edição

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Artigos