“FALO APENAS UMA LÍNGUA E ELA NÃO É MINHA”
DESCOLONIZAÇÃO E INVENÇÃODA LÍNGUA, O MESSIANISMO PARA ALÉM DO COLONIALISMO HUMANISTA
Palavras-chave:
Derrida, Colonialismo, Descolonial, Monolinguismo, Língua por virResumo
O artigo reflete sobre o tema da colonização em Derrida
presente em O monolinguismo do outro. Pretende-se mostrar como o projeto
colonial moderno humanista se reflete na língua, impondo uma dimensão
etnocêntrica. Visa-se, num primeiro momento, após apresentar a ideia de uma
colonização essencial intrínseca à língua, elucidar o que Derrida considera
como uma estrutura quase-transcendental da língua dada pelo jogo entre
o elemento aneconômico da intradutibilidade e o elemento econômico da
intertradutibilidade, de onde se extrai um caráter universal da língua e a
necessidade de pensá-la ética e politicamente através da ideia de língua por
vir, apontada pelo referido filósofo. Num segundo momento, abordaremos a noção de porvir (avenir), em Derrida, relacionando-a brevemente a três ideias
às quais ela aparece associada: 1. A democracia porvir, 2. O messianismo e
3. A hospitalidade, com o intuito de melhor compreender o significado que
o desconstrutor atribui à língua por vir. Finalmente, extraímos a seguinte
conclusão: a possibilidade de pensar o quase-conceito de idioma e a escritura
em Derrida como meios para imantar uma língua por vir.
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