Para uma tipologia do sofrimento em Nietzsche
Palavras-chave:
Nietzsche, Sofrimento, PsicanáliseResumo
O objetivo geral do presente artigo é, a partir de uma remissão ao momento em que o sofrimento se torna central na tradição filosófica, sugerir uma tipologia por meio da qual se possa discutir algumas das mais importantes manifestações do sofrimento psíquico contemporâneo, tendo como norte teórico um possível diálogo entre as abordagens filosófica e psicanalítica. Para tanto, inicia-se, após uma breve introdução (1), (2) com uma interpretação do modo pelo qual o tema vem sendo tratado pela Filosofia contemporânea mais recente (2.1), em contraponto às suas aparições episódicas e ao momento de emergência na História da Filosofia (2.2); sugere-se, a partir da Filosofia de Friedrich Nietzsche, uma tipologia do sofrimento (3), em seus aspectos “existencial-metafísico” (3.1), “fisiopsicológico” (3.2), “cultural” (3.3) e “literário-filosófico” (3.4); indica-se algumas das abordagens contemporâneas do sofrimento alternativas à da Filosofia Analítica, proporcionadas sobretudo pelo diálogo entre a Filosofia e a Psicanálise, em especial pelo tema da “terapia” (4). Conclui-se com uma visão geral das discussões desenvolvidas no artigo (5).
Referências
ARNDT, M. Leiden. In: RITTER, J.; GRÜNDER, K.; GABRIEL, G. (Hrsg.). Historisches Wörterbuch der Philosophie, Vol. 5. Basel und Darmstadt: Schwabe Verlag, 1980. pp. 206-211.
ASSOUN, P.-L. “Freud e Nietzsche: semelhanças e dessemelhanças”. Tradução de M. L. Pereira. São Paulo: Brasiliense, 1991 [1989].
AZEVEDO, F. F. S. “Dicionário analógico da língua portuguesa: ideias afins/thesaurus”. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010 [1950].
BAIN, D., BRADY, M. “Pain, Pleasure, and Unpleasure”. Review of Philosophy and Psychology, 5 (1), pp. 1-14, 2014.
BAUMAN, Z. “O mal-estar da pós-modernidade”. Tradução de M. Gama e C. M. Gama. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998 [1997].
BIRMAN, J. “Mal-estar na atualidade: a Psicanálise e as novas formas de subjetivação”. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001 [2000].
______. “O sujeito na contemporaneidade: espaço, dor e desalento na atualidade”. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021 [2012].
BRADY, M., BAIN, D., CORNS, J. (eds.). “Philosophy of Suffering: Metaphysics, Value, and Normativity”. London Routledge, 2020a.
_____. “Introduction”. In: _____. Philosophy of Suffering: Metaphysics, Value, and Normativity. London Routledge. 2020b. pp. 1-15.
CARVALHO, F. N., WILLIGES, F. “Introdução: mitos e verdades sobre as emoções na história da Filosofia”. In: Textos selecionados de Filosofia das emoções. Pelotas: NEPFIL Online, 2023. pp. 11-32.
DELLINGER, J. “Perspectivismo”. In: NIEMEYER, C. (org.). Léxico de Nietzsche. Tradução de A. M. Garcia et al. São Paulo: Edições Loyola, 2014. pp. 441-443.
DOMINGUES, I. “O continente e a ilha: duas vias da Filosofia contemporânea”. São Paulo: Edições Loyola, 2009.
FAUSTINO, M. “Nietzsche’s therapy of therapy”. Nietzsche-Studien, 46, 2017, pp. 82-104.
GASSER, R. „Nietzsche und Freud“. Berlin/New York: Gruyter, 1997. (Monographien und Texte zur Nietzsche-Forschung ; Bd. 38).
GIACOIA Jr., O. “Nietzsche como psicólogo”. São Leopoldo: Editora UNISINOS, 2001.
_____. “Nietzsche: o humano como memória e como promessa”. Petrópolis, Vozes, 2013.
GUIOMARINO, H. F. “Modernidade e sofrimento em Nietzsche”. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Paraná, 2022.
LEFRANC, J. “Compreender Schopenhauer”. Tradução de E. Ferreira Alves. Petrópolis: Vozes, 2005.
MASSIN, O. “Bad by Nature, An Axiological Theory of Pain”. In: CORNS, J. (ed.). The Routledge Handbook of Philosophy of Pain. New York Routledge, 2017. pp. 321-333.
_____. “Suffering pains”. In: BRADY, M., BAIN, D., CORNS, J. (eds.). Philosophy of Suffering: Metaphysics, Value, and Normativity. London Routledge. 2020. pp. 76-100.
NIETZSCHE, F. A gaia ciência. Tradução de P. C. de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
_____. “Além do bem e do mal: prelúdio a uma Filosofia do futuro”. Tradução de P. C. de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1992a.
_____. “Aurora: reflexões sobre os preconceitos morais”. Tradução de P. C. de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
_____. “Genealogia da moral: uma polêmica”. Tradução de P. C. de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
_____. “Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres”. Vol. I. Tradução de P. C. de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
_____. “Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres volume II”. Tradução de P. C. de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
_____. “O nascimento da tragédia: ou Helenismo e Pessimismo”. Tradução de J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 1992b.
_____. „Sämtliche Werke. Kritische Studienausgabe“ (KSA: 15 Vols.). Hrsg. von G. Colli und M. Montinari. Berlin/New York: De Gruyter, 1988.
PAULA, W. A. “Freud, um nietzschiano pessimista?”. Modernos & Contemporâneos, Campinas, Vol. 8, Nr. 18., pp. 71-86, Jan./Jun. 2024a.
_____. “Nietzsche e a transfiguração do pessimismo schopenhaueriano. A concepção de filosofia trágica”. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, 2013.
_____. “Ordenação moral de mundo e justificação da existência na metafísica de Schopenhauer”. Trans/Form/Ação, Marília, Vol. 43, Nr. 1, p. 255-282, Jan./Mar. 2020a.
_____. “O trágico no jovem Nietzsche: da estética da tragédia à autossupressão do esclarecimento filosófico”. Síntese, Belo Horizonte, Vol. 47, Nr. 148, pp. 331-352, Maio/Ago. 2020b.
_____. “O ‘sentido da vida’ em Schopenhauer e Nietzsche”. Cadernos de Filosofia Alemã: Crítica e Modernidade, 29(1), pp. 47-64, 2024b.
_____. “‘O sofrimento vai ter fim?’: o mal-estar da cultura em Nietzsche e Freud”. Revista de Filosofia Aurora, Curitiba, Vol. 34, Nr. 62, pp. 319-338, Maio/Ago. 2022a.
_____. “Thomas Nagel sobre o ‘sentido da vida’: um diálogo com Schopenhauer e Nietzsche”. Voluntas Revista Internacional de Filosofia, Santa Maria, Vol. 13, Nr. 2, e1, pp. 1-27, 2022b. DOI 10.5902/2236130869540. Disponível em: https://doi.org/10.5902/2236130869540.
PEREZ, D. O. “Introdução: Os filósofos, os terapeutas e a cura”. In: _____. (org.) Filósofos e terapeutas: em torno da questão da cura. São Paulo: Escuta, 2007.
SAFATLE, V., SILVA JR., N., DUNKER, C. (orgs.). “Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico”. Belo Horizonte: Autêntica, 2021a.
_____. “Patologias do social: Arqueologias do sofrimento psíquico”. Belo Horizonte: Autêntica, 2021b.
SCHOPENHAUER, A. “O mundo como vontade e como representação, segundo tomo: Suplementos aos quatro livros do primeiro tomo”. Tradução de J. Barboza. São Paulo: UNESP, 2015.
SIEMENS, H. “Agonal perspectives on Nietzsche’s philosophy of critical transvaluation”. Berlin/Boston: Walter de Gruyter, 2021.
SVENAEUS, F. “Pain”. In: SZANTO, T., LANDWEER, H. (eds.) The Routledge Handbook of Phenomenology of Emotion. 2020, pp. 543-552.
URE, M. “A reanimação de Nietzsche da Filosofia como modo de vida”. In: FAUSTINO, M., TESTA, F. Filosofia como modo de vida: ensaios escolhidos. Coimbra: Edições 70, 2022. pp. 371-416.
_____. “Nietzsche’s Therapy: Self-Cultivation in the Middle Works”. Lanham (et al.): Lexington Books, 2008.
VECCHIA, R. B. “O(s) perspectivismo(s) de Nietzsche”. 2014, 315 p. Tese (Doutorado em Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2014.
WOTLING, P. “Nietzsche e o problema da civilização”. Tradução de V. de Andrade. São Paulo: Barcarolla, 2013[1995]. (Coleção Sendas & Veredas).
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Kriterion

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.






