Pascal contra Agostinho
negligência e hábito nas cartas para levar a buscar e para retirar os obstáculos
Palabras clave:
Agostinho, Força, Negligência, Hábito, Pascal, TolerânciaResumen
A recepção de Agostinho no início da Modernidade possui várias vertentes. Uma delas é a retomada dos escritos da controvérsia donatista com o intuito de defender o uso da força pelo poder temporal como meio para a conversão. Entre os jansenistas, cuja apropriação de Agostinho é inconteste, esse ponto do legado agostiniano é rejeitado por Pascal. A rejeição é constatada num par de fragmentos dos Pensamentos, mas ela também se
encontra, como se pretende sustentar, nas cartas para levar a buscar e para retirar os obstáculos. Com o propósito de defender essa tese, o presente artigo (i) apresenta a justificativa agostiniana do uso da força como meio para a
conversão com ênfase na tipologia dos donatistas que a fundamenta e (ii) analisa as cartas para levar a buscar e para retirar os obstáculos a fim de (ii.a) mostrar que ambas podem ser lidas como dirigidas a tipos específicos de recusa da verdade concebidos por Agostinho e (ii.b) expor a estratégia de Pascal para superar a resistência à verdade. Por meio do estudo dos destinatários das duas cartas e da estratégia pascaliana para conduzi-los à religião, aprofunda-se a compreensão dos Pensamentos no debate sobre a tolerância no início da Modernidade.
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