PARA A CRÍTICA DO SIMBOLICISMO
NANCY FRASER SOBRE O FEMINISMO PSICANALÍTICO E O FEMINISMO DESCONSTRUTIVISTA
Palavras-chave:
Simbolicismo, Feminismo, Lacanismo, Desconstrução, Crítica social, Diagnóstico de época, Nancy FraserResumo
Nancy Fraser defende, recorrendo ao jovem Marx, que a tarefa da crítica social consiste em promover o autoentendimento dos desejos e das lutas de uma época. Embora essa definição seja central em seu trabalho, poucos são os textos em que Fraser explicita o que entende por ela. Neste artigo, meu objetivo é contribuir para essa explicitação, por meio de uma estratégia indireta. Mobilizando artigos escritos pela autora entre os anos 1980 e o início dos anos 1990, reconstruo suas críticas ao simbolicismo. Primeiro, ao simbolicismo do que ela chama de feminismo psicanalítico ou de lacanismo, representado aqui sobretudo pelo trabalho de Julia Kristeva. Depois, ao simbolicismo do que ela denomina feminismo desconstrutivista, representado aqui pelo trabalho de Drucilla Cornell. Nos dois casos, como procurarei mostrar, o cerne do argumento de Fraser é o de que, apesar de distintas, as teorias do discurso elaboradas por essas autoras conferem muita ênfase ao simbólico e às dinâmicas de sua subversão ou transformação, as quais procuram compreender a partir de uma análise de constantes a-históricas: a vida psíquica ou a lógica da desconstrução. Ao fazerem isso, afirma, elas se afastam do tipo de análise histórica concreta exigida pela crítica social como autoentendimento dos desejos e das lutas da época. Um afastamento que Fraser procura recusar ressaltando a relação entre crítica social e diagnóstico de época.
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