A vocação mística da Psicanálise

  • Paulo Henrique Curi Dias Instituto de Psicologia - Universidade de São Paulo
  • Gilberto Safra Instituto de Psicologia - Universidade de São Paulo
Palavras-chave: misticismo; experiências religiosas; psicologia clínica; psicanálise e religião

Resumo

Esse estudo pretende pensar na psicanálise enquanto uma prática clínica essencialmente compatível com certas características dos fenômenos místicos, o que lhe permite abordá-los clinicamente. Iniciamos o texto apresentando nossa compreensão de mística como um fenômeno de alteridade ontológica, ao contrário de uma produção subjetiva do ser humano. A partir disso, abordamos três características da psicanálise que a tornam relevantes para uma clínica dos fenômenos místicos: seu método apofático, sua prática de desconstrução identitária do “eu” e sua inscrição antropológica entre o universal e o particular. Finalizamos o estudo, dessa maneira, pensando na possível função clínica da psicanálise ao abordar a mística, a partir da ideia de adoecimentos espirituais.

Biografia do Autor

Paulo Henrique Curi Dias, Instituto de Psicologia - Universidade de São Paulo
Paulo Henrique Curi Dias é psicólogo clínico e doutorando (bolsista CAPES) em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Membro do Laboratório Prosopon - USP.
Gilberto Safra, Instituto de Psicologia - Universidade de São Paulo

Gilberto Safra é professor-doutor titular do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e membro-fundador do laboratório Prosopon - USP.

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Publicado
2019-06-02
Como Citar
Dias, P. H., & Safra, G. (2019). A vocação mística da Psicanálise. Memorandum: Memória E História Em Psicologia, 36, 1-20. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/6587
Seção
Artigos