Família, capital humano e pobreza

entre estratégias de sobrevivência e projetos de vida

  • Giancarlo Petrini Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família
  • Miriã Alves Ramos de Alcântara Universidade Católica do Salvador
  • Lúcia Vaz de Campos Moreira Universidade Católica do Salvador
  • Lílian Perdigão Caixeta Reis Universidade Federal da Bahia
  • Ricardo Sampaio da Silva Fonseca Universidade Federal da Bahia
  • Marcelo Couto Dias Universidade Católica do Salvador
Palavras-chave: família, pobreza, projeto de vida, capital humano

Resumo

Com o objetivo de analisar as circunstâncias nas quais as pessoas que vivem em situação de pobreza enfrentam tal condição, investigou-se a tensão entre projetos de vida elaborados a fim de melhorar as condições de saúde, educação, moradia e trabalho, e  estratégias de sobrevivência. As correntes mais influentes no estudo da pobreza tendem a conceituá-la com base nos insumos necessários para a aquisição das mercadorias básicas para a sobrevivência que qualificam a condição de pobreza relativa, relacionando-a ao padrão de vida geral predominante. Outras abordagens de caráter antropológico focalizam as relações interpessoais e os modos de vida dos pobres, deixando em segundo plano os determinantes econômicos. O estudo focalizou as esferas de intermediação entre as iniciativas macroeconômicas e as decisões individuais, procurando identificar os fatores que facilitavam tal encontro. Foram entrevistados 67 participantes de projetos sociais e instituições educacionais de duas áreas pauperizadas da cidade do Salvador, através de um questionário elaborado especialmente para identificar os processos individuais e coletivos almejados. Os resultados acerca das transformações da intimidade, da constituição da família e daquelas que decorrem de ações planejadas por organizações não governamentais e programas estatais nas áreas da habitação, educação e saúde são integrados ao debate acerca do capital humano, capital social, inclusão social, projetos de vida e estratégias de sobrevivência. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Giancarlo Petrini, Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família
doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e diretor do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família
Miriã Alves Ramos de Alcântara, Universidade Católica do Salvador
doutora em Saúde Coletiva (UFBa) e professora do Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea da UCSal.
Lúcia Vaz de Campos Moreira, Universidade Católica do Salvador
doutora em Psicologia (USP) e professora do Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea da Universidade Católica do Salvador.
Lílian Perdigão Caixeta Reis, Universidade Federal da Bahia
doutora em Psicologia (UFBa).
Ricardo Sampaio da Silva Fonseca, Universidade Federal da Bahia
mestre em Economia (UFBa).
Marcelo Couto Dias, Universidade Católica do Salvador
mestrando do Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea da Universidade Católica do Salvador.

Referências

Becker, G. S. (1962). Investment in human capital: a theretical analysis. The Journal of Political Economy,70(5), 9-49.

Becker, G. S. (1964). Human capital: a theretical and empirical analysis, with special reference to education. New York: NBER.

Becker, G. S. (1975). Human capital. New York: Columbia University Press.

Bee, H. (1997). O ciclo vital (R. Garcez, Trad.). Porto Alegre: Artes Médicas. (Original publicado em 1984).

Bourdieu, P. & Wacquant, L. (1992). An Invitation to reflexive sociology. Cambridge: Polity.

Bourdieu, P. (2003). A miséria do mundo (M. S. S. Azevedo e outros, Trad.). Petrópolis, RJ: Vozes. (Original publicado em 1997).

Bowlby, J. (2002). Apego: a natureza do vínculo (A. Cabral, Trad.). São Paulo: Martins Fontes. (Original publicado em 1969).

Britto-da-Motta, A. (2007). Família e gerações: atuação dos idosos hoje. Em A. Borges & M. Castro (Orgs). Família, gênero e gerações: desafios para as políticas sociais(pp. 111-134). São Paulo: Paulinas.

Bronfenbrenner, U. (Org.). (2004). Making human beings: hunan bioecological persepctivas on human development. Thousand Oaks, CA: Sage.

Carvalho, M. C. B. (2003). Família e políticas públicas. Em A. R. Acosta & M. A. F. Vitale (Orgs.). Família: rede, laços e políticas públicas (pp. 267-274). São Paulo: IEE; PUC SP.

Carvalho, A. M. A. (2005). Em busca da natureza do vínculo: uma reflexão psicoetológica sobre grupos familiares e redes sociais. Em G. Petrin i & V. R. S. Cavalcanti (Orgs.). Família, sociedade e subjetividades: uma perspectiva multidisciplinar. Petrópolis, RJ: Vozes.

Castells, M. (2008). O poder da identidade (K. B. Gerhardt, Trad.). (A Era da Informação: economia, sociedade e cultura, Vol.2). São Paulo: Paz e Terra. (Original publicado em 1996).

Coleman, S. (1990). Foundations of social theory. Cambridge, MA: Harvard University Press.

Cordeiro, D. & Costa, E.A.P. (2006). Jovens pobres e a educação profissional no contexto histórico brasileiro. Trabalho Necessário, 4(4), 112-125.

Donati, P. (1998). Manuale di sociologia della famiglia. Bari, Italia: Laterza.

Donati, P. (2008). Família no século XXI: abordagem relacional (G. Petrini, Trad.). São Paulo: Paulinas. (Original publicado em 2006).

Ferreira-Santos, J. E. (2005). Novos Alagados: histórias do povo e do lugar. São Paulo: EDUSC.

Fonseca, C. (2005). Concepções de família e práticas de intervenção: uma contribuição antropológica. Saúde e Sociedade.14(2), 50-59.

Fukuyama, F. (1995). Trust: the social virtues and the creation of prosperity. New York: Free Press.

Gori, E. (2004). L‟Istruzione e investimento in capitale umano. Em G. Vittadini (Org.). Capitale umano: la ricchezza dell’Europa (pp. 71-101). Milano: Guerini & Associati.

Griffa, M. C. & Moreno. J. E. (2001). Chaves para a psicologia do desenvolvimento: adolescência, vida adulta, velhice (V.2). São Paulo: Paulinas.

Juncken, E. T. (2005). Juventude pobre, participação e redes de sociabilidade na construção do projeto de vida. Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ.

Lima, V. C. (2003). A família de santo nos candomblés jeje-nagôs da Bahia: um estudo das relações intragrupais (2a ed.). Salvador: Corrupio.

Lovaglio, P. (2004) Investimento in capitale umano e disuguaglianze sociali. Em G. Vittadini (Org.). Capitale umano: la ricchezza dell’Europa (pp. 147-167). Milano: Guerini & Associati.

Marshall, A. (1953). Principi di economia. Torino, Italia: UTET.

Mattoso, K. (1988). Família e sociedade na Bahia. São Paulo: Corrupio.

Mincer, E. J. (1993). Studiesin human capital. Aldershot, England: Brookfeld.

Monteiro, CA. (2003). A dimensão da pobreza, da desnutrição e da fome no Brasil. Estud. av., 17(48), 7-20.

Moreira, L.V. C. (1999). Concepções de mães usuárias de creche sobre educação de filhos. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA.

Moreira, L. V. C. (2005). Concepções e práticas de pais sobre educação de filhos. Tese de Doutorado, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP.

Nascimento, I. P. (2006). Projeto de vida de adolescentes do ensino médio: um estudo psicossocial sobre suas representações Imaginário [online], 12(12), 55-80. Recuperado em 30 de janeiro, 2012, de http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?pid=S1413-666X2006000100004&script=sci_arttext

Pochmann, M. (2004). Juventude em busca de novos caminhos no Brasil. Em R. E. Novaes & P. Vannuchi (Orgs.). Juventude e Sociedade: trabalho, educação, cultura e participação (pp. 217-241). São Paulo: Fundação Perseu Abramo.

Rocha, S. (2003). Pobreza no Brasil: afinal, de que se trata? Rio de Janeiro: FGV.

Romanelli, G. & Bezerra, N. M. A. (1999). Estratégias de sobrevivência em famílias de trabalhadores rurais. Paidéia, 9(16), 77-87.

Sarti, C. (2005). A família como espelho: um estudo sobre a moral dos pobres (3aed.). São Paulo: Cortez. (Original publicado em 1996).

Scabini, E. & Rossi, G. (Orgs.). (2012). Family transitions and families in transition. Milano: Vita e Pensiero.

Schultz, T. W. (1961). Investment in human capital. American Economic Review, 1(1),1-17.

Schultz, T.W. (1971). Investment in human capital: the role of education and of research. New York: Free Press.

Sen, A. (1999). Sobre ética e economia. (L. T. Motta, Trad.). São Paulo: Companhia das Letras. (Original publicado em 1986).

Sen, A. (2000). Desenvolvimento como liberdade (L. T. Motta, Trad.). São Paulo: Companhia das Letras. (Original publicado em 1995).

Sen, A. (2001). Desigualdade reexaminada. (R. D. Mendes, Trad.). Rio de Janeiro: Record. (Original publicado em 1992).

Silva, J. & Borges, A.M.C. (2007a). A escolaridade como estratégia para a inserção do jovem no mercado de trabalho na região metropolitana de Salvador [Resumo]. Em Anais SEMOC–Semana de Mobilização Científica [CD-ROM]. Salvador: UCSAL.

Silva, M. & Borges, A.M.C. (2007b). Mudanças recentes na regulação do trabalho juvenil no Brasil [Resumo]. Em Anais SEMOC – Semana de Mobilização Científica [CD-ROM]. Salvador: UCSAL.

Smith, A. (1948). Ricerche sopra la natura e lê cause della ricchezza delle nazioni. Torino, Italia: UTET.

Souza, M. M. C. (2000). A importância de se conhecer as famílias para a elaboração de políticas sociais na América Latina. Rio de Janeiro: Ipea.

Souza, A. P. (2004). Por uma política de metas de redução da pobreza. São Paulo em Perspectiva, 18(4), 20-27.

Vittadini, G. (Org.). (2004). Capitale umano: la ricchezza dell’Europa. Milano: Guerini & Associati.

Vittadini, G.; Dagum, C; Lovaglio, P. G. & Costa, M. (2003). A method for the estimation of the distribution of human capital from sample survey os income and wealth. Em Proceedings of the American Statistical Association, Statistical Education Section [CD-ROM]. Alexandria, VA: American Statistical Association.

Publicado
2012-04-14
Como Citar
Petrini, G., Alcântara, M. A. R. de, Moreira, L. V. de C., Reis, L. P. C., Fonseca, R. S. da S., & Dias, M. C. (2012). Família, capital humano e pobreza. Memorandum: Memória E História Em Psicologia, 22, 165-186. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/6596
Seção
Artigos