Karl Weissmann e a psicanálise na Era Vargas

um psicanalista entre a política, a educação e a criminologia

Palavras-chave: Karl Weissmann, história da psicanálise, educação, criminologia, Era Vargas

Resumo

No presente artigo, temos como objetivo investigar elementos da vida e do pensamento do
psicanalista austríaco Karl Weissmann, que viveu no Brasil entre 1921 e 1989. Para tanto,
analisamos uma diversidade de arquivos, em especial seus próprios livros e artigos, visando
discutir aspectos de seu trabalho com a psicanálise. Damos destaque para seu primeiro livro,
publicado em 1937, época em que Weissmann desponta como psicanalista e intelectual de
renome no país. A análise de seus textos evidencia uma leitura da psicanálise centrada no
desenvolvimento da libido através das fases propostas por Freud, com um perfil de
maturidade definida. Essa leitura possibilitou a Weissmann trabalhar psicanaliticamente no
campo da criminologia, traçando tipos de crime a partir de transtornos no desenvolvimento.
Ressaltamos a compatibilidade entre seu pensamento e o ideário político da Era Vargas,
sobretudo quanto às noções de família e de infância, em sua relação com a perspectiva de
desenvolvimento nacional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rodrigo Afonso Nogueira Santos, Universidade de São Paulo
Rodrigo Afonso é psicólogo, com graduação e mestrado em psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei. Atualmente é aluno de doutorado no Programa de Pós Graduação em Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP/USP).
Belinda Piltcher Haber Mandelbaum, Universidade de São Paulo

Belinda Mandelbaum é psicanalista e professora associada do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP, onde coordena o Laboratório de Estudos da Família, Relações de Gênero e Sexualidade. Autora de Psicanálise da Família (2a edição, 2010), Trabalhos com famílias em Psicologia Social (2014) e Desemprego: uma abordagem psicossocial (2017). Coordena atualmente o projeto “Psicanálise e contexto social no Brasil: fluxos transnacionais, impacto cultural e regime autoritário".

Referências

Alexander, F. & Staub, H. (1934). Le criminel et ses juges. Paris: Gallimard.

Almeida, M. G. A. A. (1998). Estado Novo: projeto pedagógico e a construção do saber. Revista Brasileira de História, 18(36), 137-160. dx.doi.org/10.1590/S0102-01881998000200008

Antipoff, H. W. & Assumpção, Z. (2002). Ideais e interesses das crianças de Belo Horizonte e algumas sugestões pedagógicas. Em R. H. F. Campos (Org.). Helena Antipoff: textos escolhidos (pp. 133-160). São Paulo: Casa do Psicólogo; Brasília: Conselho Federal de Psicologia. (Original publicado em 1930).

Brasil (1934). Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Rio de Janeiro: Autor.

Bomeny, H. M. B. (1999). Três decretos e um ministério: a propósito da educação no Estado Novo. Em D. Pandolfi (Org). Repensando o Estado Novo (pp. 137-166). Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas.

Correio da Manhã. (1953, 24 de março). Psicanalista na penitenciária de Neves. Correio da Manhã, 4.

Dunker, C. I. L. (2015). Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo.

Facchinetti, C. & Castro, R. D. (2015). The historiography of psychoanalysis in Brazil: the case of Rio de Janeiro. Dynamis, 35(1), 13-34.

Facchinetti, C. & Ponte, C. (2003). De barulhos e silêncios: contribuições para a história da psicanálise no Brasil. Psychê, 7(11), 59-83. Recuperado em 15 de janeiro, 2018, de www.redalyc.org/articulo.oa?id=30701105

Freud, S. (1996). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Em S. Freud. Edição standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. VII). (J. Salomão, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1905).

Freud, S. (1996). Psicologia de grupo e análise do Ego. Em S. Freud. Edição standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. XVIII). (J. Salomão, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1922).

Freud, S. (1996). Mal-estar na civilização. Em S. Freud. Edição standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. XXI). (J. Salomão, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1929).

Gallo, R. (2015). Freud in Mexico: into de wilds of psychoanalysis. Cambridge: MIT.

Gomes, A. C. (1999). Ideologia e trabalho no Estado Novo. Em D. Pandolfi (Org). Repensando o Estado Novo (pp. 53-72). Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas.

Guimaraes, R. M. (2014). Um compromisso de origem: Minas cada vez mais mineira. Em E. Parreiras (Org.). O gigante do ar: a história da Radio Inconfidência narrada por Ricardo Parreiras e convidados (pp. 29-43). Belo Horizonte: Rádio Inconfidência.

Jorge, M. A. C. (1984). Entrevista com Karl Weissmann. Revirão Revista da Prática Freudiana, 2, 160-176.

Jorge, M. A. C. (1985). Entrevista com Gastão Pereira da Silva. Revirão Revista da Prática Freudiana, 1, 139-149.

Lacan, J. (1987). Da psicose paranoica e suas relações com a personalidade (A. Menezes, M. A. C. Jorge & P. M. Silveira Jr., Trad.s). Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Original publicado em 1932).

Marcondes, S. R. A. (2015). Nós, os charlatães: Gastão Pereira da Silva e a divulgação da psicanálise em O Malho (1936-1944). Dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em História das Ciências da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ.

Marinho, J. Z. S. (2017). “Manter sadia a criança sã”: as políticas públicas de saúde materno-infantil no Piauí de 1930 a 1945. Tese de doutorado, Programa de Pós Graduação em História, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR.

Mezan, R. (2015). O tronco e os ramos: estudos de história da psicanálise. São Paulo: Companhia das Letras.

Nunes, S. A. (1988). Da medicina social à psicanálise. Em J. Birman (Org.). Percursos na história da psicanálise (pp. 61-122). Rio de Janeiro: Taurus.

Oliveira, C. L. M. V. (2002). Os primeiros tempos da psicanálise no Brasil e as teses pansexualistas na educação. Ágora, 5(1), 133-154. dx.doi.org/10.1590/S1516-14982002000100010

Oliveira, C. L. M. V. (2006). História da psicanálise: São Paulo (1920-1969). São Paulo: Escuta.

Oliveira, C. L. M. V. (2012). Psychoanalysis in Brazil during Vargas‟ time. Em J. Damousi & M. Plotkin (Org.s). Psychoanalysis and politics (pp. 113-133). New York: Oxford.

Pereira, A. R. (1999). A criança no Estado Novo: uma leitura de longa duração. Revista Brasileira de História, 19(38), pp. 165-198. dx.doi.org/10.1590/S0102- 01881999000200008

Porto-Carrero, J. P. (1932). Criminologia e psicanálise. Rio de Janeiro: Flores & Mano.

Ramos, A. (1937). Loucura e crime: questões de psiquiatria, medicina forense e psicologia social. Porto Alegre: Globo.

Ribeiro, L. (2010). Ciência homossexualismo e endocrinologia. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 13(3), 498-511. (Original publicado em 1935).

Roudinesco, E. (1995). Genealogias. Rio de Janeiro: Relume Dumará.

Santos, R. A. N. (2016). A história da Psicanálise em Minas Gerais: dos primeiros tempos à institucionalização (1925-1963). Dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal de São João del-Rei, São João del-Rei, MG.

Santos, R. A. N. & Mandelbaum, B. P. H. (2017). A psicanálise e seus pioneiros no Brasil: notas sobre o “vigoroso psicanalista” Karl Weissmann. Analytica, 6(11), 34-68. Recuperado em 17 de janeiro, 2018, de seer.ufsj.edu.br/index.php/analytica/article/view/2659/1758

Silva, G. P. (1937). Prefácio. Em K. Weissmann. O dinheiro na vida erótica (pp. 7-32). Rio de Janeiro: Brasília.

Silva, G. P. (1978). 25 anos de psicanálise. Rio de Janeiro: Apperj.

Vilhena, C. P. S. (1992). A família na doutrina social da igreja e na política social do Estado Novo. Psicologia Usp, 3(1-2), 45-57. Recuperado em 22 de janeiro, 2018, de pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51771992000100005

Weissmann, K. (1937). O dinheiro na vida erótica. Rio de Janeiro: Brasília.

Weissmann, K. (1952). A base anal da criminalidade. Acaiaca, 36, 28-33.

Weissmann, K. (1953, 19 de abril). Nossos delinquentes são quase todos homens pacatos. Correio da manhã, primeiro caderno.

Weissmann, K. (1958). O hipnotismo: psicologia, técnica e aplicação. Rio de Janeiro: Prado.

Weissmann, K. (1961). A conquista da maturidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Weissmann, K. (1964). Masoquismo e comunismo: contribuições para a patologia do pensamento político. Rio de Janeiro: Martins Fontes.

Weissmann, K. (1967). Psicanálise: ensaios e experiências. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.

Publicado
2019-10-08
Como Citar
Santos, R. A. N., & Mandelbaum, B. P. H. (2019). Karl Weissmann e a psicanálise na Era Vargas. Memorandum: Memória E História Em Psicologia, 36, 1-27. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/6838
Seção
Artigos