Necrophilic Orpheus, by Marie Bonaparte
DOI:
https://doi.org/10.35699/1983-3636.2025.58492Keywords:
Incest, Necrophilia, Orpheus, ReceptionAbstract
This paper aims to analyze, in the light of reception studies, how the conception of the myth of Orpheus, from the classical tradition in Virgil's Georgics and Ovid's Metamorphoses, was received and interpreted in Marie Bonaparte's work entitled La faute d'Orphée à l'envers (The Guilt of Orpheus in Reverse). The author's main thesis is that the strength of Orpheus' evocation by his beloved, the nymph Eurydice, going to look for her in the world of the dead and his disobedience to the law of not looking back until they were completely safe in the world of the living, rests on the disturbing feelings of the Incest Taboo and necrophilia. Thus, through reception centered on the implicit reader and the receptive consciousness, the construction of meaning in the process of reading ancient texts stands out. After all, the fact that Eurydice is twice turned into a corpse is an essential attribute of the object of love for Orpheus.
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