Com os cascos no matadouro

encenações da morte animal na poesia de Eucanaã Ferraz e Edimilson de Almeida Pereira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/2358-9787.35.3.62-79

Palavras-chave:

poesia brasileira, biopolítica, animalidade, zoopoética contemporânea

Resumo

Diversas formulações teórico-críticas, dentro do escopo dos estudos literários, têm se voltado para as relações entre a criação poética e o mundo vivo. Neste artigo, especificamente, focalizamos alguma poesia brasileira contemporânea, representada aqui por poemas de Eucanaã Ferraz e Edimilson de Almeida Pereira. Respectivamente, compõem o corpus de leitura dois textos: os poemas “Fado do boi” (2008) e “Matança do porco” (2022). Nossa abordagem considera os procedimentos através dos quais são dramatizadas cenas de morte animal, seja na esteira de matadouros cada vez mais mecanizados, seja pelo artifício das lâminas manejadas ainda por mãos humanas. Além disso, no percurso de análise, sublinha-se o diálogo intertextual que os poemas realizam com outros textos e outros autores da literatura brasileira, tendo a figura animal como ponto de convergência. Para isso, são mobilizados aportes a fim de pensar os desdobramentos éticos, políticos e estéticos das relações entre as diferentes espécies coabitantes deste mesmo planeta.

Biografia do Autor

  • Júlio Cadó, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) | Natal | RN | BR

    Licenciado em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Mestre e Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPgEL/UFRN), na área de concentração de Estudos em Literatura Comparada. Principais interesses de pesquisa: Literaturas de Língua Portuguesa, Estudos de Poesia e Zoopoética. 

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Publicado

2026-09-22