O aforismo 341 de Gaia Ciência revela que o interesse nietzschiano pelos efeitos éticos do eterno retorno está profundamente ligado a ideia de que a vida na completude de seu desdobramento temporal se repetirá eternamente na mesma sequência e ordem. Com isso, a hipótese demoníaca nos encaminha para o dramático desafio que envolve a caracterização do eterno retorno como uma doutrina ética: querer aquilo que se sabe. Para que se efetivem as potencialidades éticas do retorno, não basta encontrar fundamentos teóricos que sustentem a idéia de que a vida repetirá na mesma sequência e ordem, não basta a prova científica, é necessário querer essa repetição. Dessa forma, a questão crucial que Nietzsche encaminha ao seu leitor no aforismo 341 deGaia Ciência é como viver de modo a querer que a vida se repita eternamente na totalidade de seu desdobramento temporal. Nesse contexto, o objetivo desse presente artigo é discutir o investimento nietzschiano nos desdobramentos éticos do eterno retorno e sua relação com a estilística da existência que emerge entre os escritos do filósofo ao fim do segundo período de sua produção.
Referencias
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