Este texto visa relacionar Hume e Nietzsche a partir do que estudiosos minimamente admitem encontrar pontos de convergência entre ambos, a saber, a postura naturalista. Para delimitar nossa discussão, focaremos no tema da moral. Assim, exporemos sucintamente e comentaremos as ideias defendidas por alguns especialistas: Brian Leiter, enquanto trata de uma proximidade metodológica; Peter Kail, que percebe incluído nesta identificação metodológica um teor substantivo contundente, e Craig Beam, que adentra à moralidade e aponta semelhanças também entre alguns dos conteúdos críticos e positivos dos referidos filósofos. Não cogitamos qualquer suposta influência de Hume sobre Nietzsche, nem pretendemos defender uma proposta contra a outra. Porém, acreditamos que uma revisão da comparação entre os dois projetos contribui para a ampliação e o aprofundamento da nossa compreensão sobre os mesmos, principalmente enquanto se destacam elementos neles presentes que, mesmo relevantes, tem sido ignorados. Desta maneira, nossa conclusão aponta para uma preocupação comum entre Hume e Nietzsche com os efeitos práticos de suas respectivas teorias sobre a moral, que apesar de se distinguirem por seus alvos e estratégias específicos, apelam sempre aos afetos como móveis da ação humana, sejam os mais calmos sejam os mais impulsivos, fielmente circunscritos dentro dos limites da natureza.
Références
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