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Artigos

v. 5 n. 8 (2018): 1º e 2º Semestres de 2018

MERLEAU-PONTY E O PRIMADO DA PERCEPÇÃO: O CORPO COMO MARCA DA CUMPLICIDADE ENTRE AS OBRAS DE 1942 E 1945

Enviado
abril 6, 2026
Publicado
2019-06-03

Resumo

Neste artigo, veremos como A Estrutura do Comportamento (1942) e a Fenomenologia da Percepção (1945) redefinem as noções de consciência e objeto de consciência, apontando ao primado da percepção, que, encarnado, integra-se ao ser-nomundo e brota como inerência racional e vital. De noções como estrutura, forma e ordem, a tese de 1942 redimensiona a relação entre alma e corpo a partir consciência perceptiva e prepara uma fenomenologia capaz de retornar às fontes do envolvimento pré-reflexivo com o mundo. Desta feita, é no cerne do Lebenswelt que a obra de 1945 restitui o sentido de ser de todos os seres possíveis, pois descreve nossa inserção
mundana mais originária, a partir da qual o contato com qualquer transcendência é possível. Sendo “eu e meu”, o corpo é, aqui, não só a Gestalt que delimita quem somos e como podemos ser, mas a existência em seu movimento de transcendência; a gênese
do sentido e do lugar de nossas experiências. Medidor do mundo e lugar da percepção, defenderemos que o corpo é, para Merleau-Ponty, a marca da cumplicidade entre a
crítica da noção de estrutura pela análise do comportamento (1942) e o exame fenomenológico da percepção (1945), pois descreve modos de ser essencialmente
ambíguos.

Referências

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