Doutor em Estudos Literários (UFMG) e bacharel em Filosofia (UFES). Atualmente é professor pesquisador II do curso de licenciatura em Filosofia EAD da SEAD-UFES.
O objetivo deste artigo é examinar o sentido da anotação do verão de 1880 na qual Nietzsche afirma que “Os niilistas tinham Schopenhauer como filósofo” (KSA 9.125). Para Nietzsche, o valor da filosofia schopenhaueriana consiste precisamente em tornar pela primeira vez explícita a essência niilista da interpretação moral de mundo ao conduzi-la às suas últimas consequências. É isso que faz do filósofo de Danzig um interlocutor privilegiado dos niilistas do século XIX. Essa interpretação nietzschiana pode ser sustentada tendo-se em vista que Schopenhauer funda o pessimismo enquanto tema filosófico, ao atribuir-lhe um caráter metafísico, que diz respeito à essência última do universo, encerrando o sistema com um claro niilismo.
Referências
ARALDI, C. Niilismo, criação, aniquilamento: Nietzsche e a filosofia dos extremos. São Paulo/Ijuí: GEN; Discurso Editorial; Editora Unijuí, 2004.
CHAVES, E. A arte das paixões: Nietzsche, leitor de Prosper Mérimée. Estudos Nietzsche, Curitiba, v. 4, n. 1, p. 43-61, 2013.
DE PAULA, W. A. Nietzsche e a transfiguração do pessimismo schopenhaueriano: a concepção de filosofia trágica. Tese de doutorado em Filosofia. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2013.
LOPES, R. A. Ceticismo e vida contemplativa em Nietzsche. 2008. Tese de doutorado em Filosofia. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.
NIETZSCHE, F. W. Genealogia da moral: uma polêmica. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
_________. Nachgelassene Fragmente 1880-1882. In ______. Sämtliche Werke. Kritische Studienausgabe. Herausgegeben von Giorgio Colli und Mazzino Montinari. Berlin, New York: de Gruyter, 1999 (Band 9).
_________. A Gaia Ciência. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
_________. O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. Trad. J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
SALVIANO, J. O. S. Labirintos do Nada: a crítica de Nietzsche ao niilismo de Schopenhauer. Tese de doutorado em Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
SANTOS, V. C. A voluptuosidade do nada: o niilismo na prosa de Machado de Assis. Tese de doutorado em Estudos Literários. Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2015.
SCHOPENHAUER, A. Contribuições à doutrina do sofrimento do mundo. In Os pensadores. Trad. Wolfgang Leo Maar. São Paulo: Nova Cultural, 1999.
_________. O mundo como vontade e como representação I. Trad. Jair Barboza. São Paulo: Editora UNESP, 2005.
_________. El mundo como voluntad y representación II. Trad. Eduardo Ovejero Y Maury. Buenos Aires: Losada, 2008.
TURGUÊNIEV, I. Pais e Filhos. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo: Cosac Naify, 2004.