A açucarada língua portuguesa
Lusotropicalismo e Lusofonia no século XXI
Palavras-chave:
língua portuguesa, brasilidade, doçura, açúcar, comércioResumo
O artigo aborda, a partir dos conceitos de Lusotropicalismo e Lusofonia, o processo histórico de mercantilização da língua portuguesa. Inicialmente, expõe o papel econômico da empreitada colonial açucareira no Brasil. Em seguida, explora os sentidos "adocicados" atribuídos à língua portuguesa falada no Brasil como um lugar de inscrição de significados coloniais no processo de constituição da brasilidade da língua e da identidade. Por fim, discute o valor comercial atribuído à língua portuguesa em tempos contemporâneos, sinalizando para o papel desempenhado pelo Brasil nesta nova ordem. A concepção de língua adotada no artigo assume que ela não é neutra, mas ideologicamente saturada e, por isso mesmo, as valorações e significações atribuídas à língua produzem efeitos sobre as práticas linguísticas. Toma-se como corpus uma amostra de discursos, histórica e contemporaneamente produzidos sobre a língua portuguesa do Brasil, oriundos de diferentes gêneros discursivos.
Downloads
Referências
ALENCAR, José de. Carta V [1874]. In: PINTO, E. P. (Org.). O Português do Brasil: textos críticos e teóricos - 1820/1920. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978.
AZEVEDO, S. José Albano é homenageado. Jornal de Poesia. Especial para o Vida & Arte, de O Povo, 27.05.2000. Disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/@san04.html. Acessado em 05 de fevereiro de 2014.
» http://www.jornaldepoesia.jor.br/@san04.html
BAKHTIN, Mikhail. Questões de Literatura e Estética: o discurso no romance [1934-1935]. São Paulo: UNESP/Hucitec, 1990.
BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso [1952-53]. In: _____. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
BOSCHI, Caio César. A Universidade de Coimbra e a formação intelectual das elites mineiras coloniais. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.4, n.7, 1991.
BUARQUE DE HOLANDA, Sérgio. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1936/1995.
CAHEN, Michel. Portugal Is in the Sky: Conceptual Considerations on Communities, Lusitanity and Lusophony. In: MORIER-GENOUD, Eric; CAHEN, Michel (Org.). Imperial Migrations: Colonial Communities and Diaspora in the Portuguese World. New York: Palgrave Macmillan, 2011.
CARRIERI, Marcos. África atrai multinacionais brasileiras. Agência de notícias Brasil-Árabe. 28/08/2013. Disponível em <http://www.anba.com.br/noticia/21602935/macro/africa-atrai-multinacionais-brasileiras/> Acessado em 06 de fevereiro de 2014. » http://www.anba.com.br/noticia/21602935/macro/africa-atrai-multinacionais-brasileiras/
CHAVES DE MELO, Gladstone. Alencar e a língua brasileira. 3ªed. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, 1972.
CHIZIANE, Paulina. Novelas brasileiras passam imagem de país branco, critica escritora moçambicana. Agência Brasil - Empresa Brasil de Comunicação, 17/04/2012. Disponível em < http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2012-04-17/novelas-brasileiras-passam-imagem-de-pais-branco-critica-escritora-mocambicana> Acessado em 30 de janeiro de 2014.
COUTO, Mia. E se Obama fosse africano? E outras interinvenções. Lisboa: Editorial Caminho, 2009.
DINIZ, Leandro Rodrigues Alves. Mercado de línguas: a instrumentalização brasileira do português como língua estrangeira. Dissertação (mestrado). Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, 2008.
ELIA, Gianluca. O subimperialismo brasileiro na África: estudo de caso sobre Moçambique. Monografia. Universidade Católica de Minas Gerais, Curso de Relações Internacionais, 2012.
FOUCAULT, Michel. A história da sexualidade I: A vontade de saber. Tradução de Maria Thereza Albuquerque. Rio de Janeiro: Graal, 1977/1999.
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 48a ed. São Paulo: Global, 1933/2003, 365p.
FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. 32ªed. São Paulo: Editora Nacional, 1959/2005.
LIMA, Ivana Stolze. Cores, marcas e falas. Sentidos de mestiçagem no Império do Brasil. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003.
LOPES DA SILVA, Fábio. Freyre & Foucault: Casa-Grande & Senzala como microfísica do poder. Fênix - Revista de História e Estudos Culturais. vol.3, Ano III, n.3, jul./ago./set., 2006. p.1-20.
LOURENÇO, Eduardo. A Nau de Ícaro seguido de imagem e miragem da lusofonia. Lisboa: Gradiva, 1999.
LUDIASBH. A Nova Gramática do Português Brasileiro. Vírus da Arte & Cia: Site brasileiro especializado em arte e cultura, 2013. Disponível em <http://virusdaarte.net/a-nova-gramatica-do-portugues-brasileiro/> Acessado em 06 de fevereiro de 2014. » http://virusdaarte.net/a-nova-gramatica-do-portugues-brasileiro
MANGUEL, Alberto. A leitura do mundo: Entrevista com o ensaísta argentino à Revista Língua Portuguesa. Dez., 2011. Disponível em <http://revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249003-1.asp> Acessado em 06 de fevereiro de 2014. » http://revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249003-1.asp
MATA, Inocência. No fluxo da resistência: a literatura, (ainda) universo da reinvenção da diferença. Gragoatá. Niterói, n.27, 2009. p.11-32.
MATTOSO CAMARA JR, J. História e Estrutura da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Padrão, 1976.
MELO, Gladstone Chaves de.Alencar e a língua brasileira 3ªed. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, 1972.
MELLO, Patrícia Campos. Angola proíbe a operação de Igrejas Evangélicas no país. Folha de S. Paulo, 27 de abril de 2013. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/04/1269733-angola-proibe-operacao-de-igrejas-evangelicas-do-brasil.shtml> Acessado em 10 de janeiro de 2014. » http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/04/1269733-angola-proibe-operacao-de-igrejas-evangelicas-do-brasil.shtml
MINGAS, Amélia Arlete. A Língua Portuguesa e a sua dimensão comunitária no quadro da CPLP. In: ExpoLíngua. Lisboa, 4 a 6 de Março, 2009.
OLIVEIRA, Gilvan Muller de. Brasileiro fala português: monolingüismo e preconceito lingüístico. In: MOURA E SILVA (Org.). O direito à fala? A questão do preconceito linguístico. Florianópolis: Editora Insular, 2000.
PINTO, E. P. (Org.).. O Português do Brasil: textos críticos e teóricos - 1820/1920 Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978.
PETTER, Margarida M. T. Africanismos no Português do Brasil. In: ORLANDI, Eni (Org.). História das Idéias Linguísticas: Construção do saber metalingüístico e constituição da Língua Nacional. Campinas: Pontes, Cáceres: UNEMAT Editora, 2001. p.223-234.
PRADO JUNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo - colônia. São Paulo: Brasiliense, 1942/1972.
SEVERO, Cristine Gorski. Entre a sociolinguística e os estudos discursivos: o problema da avaliação. Interdisciplinar: Revista de Estudos em Língua e Literatura, v.14, p.7-15, 2011.
SILVA, Diego Barbosa. O passado no presente: história da promoção e difusão da Língua Portuguesa no exterior. Cadernos do CNLF, vol.XIV, nº.4, t.4, 2010. Disponível em: <http://www.delfimsantos.com/textos/DSilva_Historia_promocao_lingua_portuguesa_exterior_sd.pdf> Acessado em 20 de janeiro de 2014. p. 3018-3034.» http://www.delfimsantos.com/textos/DSilva_Historia_promocao_lingua_portuguesa_exterior_sd.pdf
TEIXEIRA, Ivan. O engenho fidalgo - Manuel Botelho de Oliveira. Revista USP, n.50, 2000. p.178-209.
UOL JOGOS. Fórum de jogos online: Por que os portugas falam que o sotaque português do Brasil é açucarado???, 2011. Disponível em <http://forum.jogos.uol.com.br/_t_1293567>. Acessado em 06 de fevereiro de 2014.
http://forum.jogos.uol.com.br/_t_1293567
VIDIGAL, Carlos. Brasil: potência cordial? A diplomacia brasileira no início do século XXI. RECIIS - R. Eletr. de Com. Inf. Inov. Saúde. Rio de Janeiro, v.4, n.1, 2010. p.36-45.
VOLOSHINOV, Valentin Nikolaevich. Marxismo e Filosofia da Linguagem [1929]. São Paulo: Editora Hucitec, 2006.
WEINREICH, Uriel; LABOV, William; HERZOG, Marvim I. Fundamentos Empíricos para uma Teoria da Mudança Linguística [1968]. Trad. Marcos Bagno; revisão técnica Carlos Alberto Faraco. São Paulo: Ed. Parábola, 2006.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2020 Revista Brasileira de Linguística Aplicada

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores de artigos publicados pela RBLA mantêm os direitos autorais de seus trabalhos, licenciando-os sob a licença Creative Commons BY Attribution 4.0, que permite que os artigos sejam reutilizados e distribuídos sem restrição, desde que o trabalho original seja corretamente citado.


