Saúde mental na graduação de Letras Inglês da Ufes e a decolonialidade

porque (nós também) precisamos falar sobre isso

Autores

Palavras-chave:

autoetnografia, saúde mental, colonialidade, formação inicial, Educação Linguística Crítica

Resumo

Este artigo busca discutir uma realidade ainda bastante ausente nos debates sobre a vida acadêmica e a universidade pública brasileira: a saúde mental de seus graduandos. Para tanto, aponta-se para o contexto universitário como lócus impregnado de colonialidades em suas práticas formativas, bem como na construção do conhecimento que nele se dá. A partir da temática da avaliação, mas sem me prender a ela, teço considerações e análises críticas sobre a saúde mental de graduandos de um curso de Licenciatura em Letras Inglês por meio da autoetnografia, narrando minha trajetória com o tema em voga enquanto docente responsável por uma disciplina de projetos de ensino, bem como enquanto coordenadora de curso. Espero que minhas reflexões autocríticas e decoloniais sirvam como alerta para a Linguística Aplicada Crítica, bem como para a comunidade acadêmica em geral.

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Publicado

02-12-2024

Edição

Seção

Número Temático - Sala de Aula X Mundo Real (lançamento em 2024)