Saúde mental na graduação de Letras Inglês da Ufes e a decolonialidade
porque (nós também) precisamos falar sobre isso
Palavras-chave:
autoetnografia, saúde mental, colonialidade, formação inicial, Educação Linguística CríticaResumo
Este artigo busca discutir uma realidade ainda bastante ausente nos debates sobre a vida acadêmica e a universidade pública brasileira: a saúde mental de seus graduandos. Para tanto, aponta-se para o contexto universitário como lócus impregnado de colonialidades em suas práticas formativas, bem como na construção do conhecimento que nele se dá. A partir da temática da avaliação, mas sem me prender a ela, teço considerações e análises críticas sobre a saúde mental de graduandos de um curso de Licenciatura em Letras Inglês por meio da autoetnografia, narrando minha trajetória com o tema em voga enquanto docente responsável por uma disciplina de projetos de ensino, bem como enquanto coordenadora de curso. Espero que minhas reflexões autocríticas e decoloniais sirvam como alerta para a Linguística Aplicada Crítica, bem como para a comunidade acadêmica em geral.
Downloads
Referências
ARIÑO, D. O.; BARDAGI, M. P. Relação entre fatores acadêmicos e a saúde mental de estudantes universitários. Psicol. pesq., Juiz de Fora, v. 12, n. 3, p. 44-52, dez. 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1982-12472018000300005&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 25 jan. 2024.
BARROS, R.; PEIXOTO, A. Integração ao ensino superior e saúde mental: um estudo em uma universidade pública federal brasileira. Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior, Campinas, v. 27, n. 3, p. 609-631, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-40772022000300012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/aval/a/dfcGTywRV3srdNG7NVTvG4K/#. Acesso em: 4 mar. 2024.
BARROS, R.; PEIXOTO, A. Saúde mental de universitários: levantamento de transtornos mentais comuns em estudantes de uma universidade brasileira. Quaderns de Psicologia, v. 25, n. 2, e1958, p. 1-19, 2023.
BIESTA, G. The Integrity of Education and the Future of Educational Studies. British Journal of Educational Studies, v. 71, n. 5, p. 1-23, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1080/00071005.2023.2242452. Acesso em: 4 mar. 2024.
BORELLI, J. D. V.; SILVESTRE, V. P. V.; PESSOA, R. R. Towards a Decolonial Language Teacher Education. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v. 20, n. 2, p. 301-324, 2020. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1984-6398202015468. Acesso em: 4 mar. 2024.
CASTRO-GOMEZ, S. Ciências sociais, violência epistêmica e o problema da “invenção do outro”. In: LANDER, E. (ed.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latinoamericanas. Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina: CLACSO, 2005. p. 80-87. (Colección Sur Sur).
CECÍLIO, L. C. de O. et al. O agir leigo e o cuidado em saúde: a produção de mapas de cuidado. Cadernos de Saúde Pública, v. 30, n. 7, p. 1502–1514, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-311X00055913. Acesso em: 4 mar. 2024.
DARDOT, P.; LAVAL, C. The New Way of the World: On Neoliberal Society. Translation by Gregory Elliot. New York, NY: Verso, 2013. 360p.
DOUGLAS, K.; CARLESS, D. A History of Autoethnographic Inquiry. In: JONES, S. H.; ADAMS, T. E.; ELLIS, C. (ed.). Handbook of Autoethnography. New York, NY: Routledge, 2013. p. 84-106.
FORTES, L. “Ser ou não ser”: questões sobre subjetividade e o ensino de inglês na escola pública. São Paulo: Pimenta Cultural, 2023. v. 1, 310p. DOI: 10.31560/pimentacultural/2023.96672. Disponível em: https://www.pimentacultural.com/livro/ser-nao-ser. Acesso em: 4 mar. 2024.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir. 29. impr. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2004. 264p.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. 129p.
GOUVEIA, M. M. W; DINIZ, A. V. S. Promoção da saúde mental de graduandos da UFPB: proposições para uma atuação institucional. 2020. 129p. Relatório técnico (Mestrado Profissional em Gestão nas Organizações Aprendentes) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2020.
GRAY, J.; BLOCK, D. The Marketization of Language Teacher Education and Neoliberalism: Characteristics, Consequences and Future Prospects. In: BLOCK, D.; GRAY, J.; HOLBOROW, M. Neoliberalism and Applied Linguistics. London; New York, NY: Routledge, 2012. p. 114-143.
GROSFOGUEL, R. Para descolonizar os estudos de economia política, transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. In: SOUSA SANTOS, B.; MENESES, M. P. (org.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Ed. Almedina, 2009. p. 383-418.
HILGERS, M. The Three Anthropological Approaches to Neoliberalism. International Social Science Journal, v. 61, n. 202, p. 351-363, 2011.
JONES, S. H.; ADAMS, T. E.; ELLIS, C. Coming to Know Autoethnography as More Than a Method. In: JONES, S. H.; ADAMS, T. E.; ELLIS, C. (ed.). Handbook of Autoethnography. New York, NY: Routledge, 2013. p. 17-48.
JORDÃO, C. M. Pedagogia de projetos e língua inglesa. In: EL KADRI, M. S.; PASSONI, T. P.; GAMERO, R. (org.). Tendências contemporâneas para o ensino de língua inglesa: propostas didáticas para a educação básica. Campinas: Pontes, 2014. p. 17-52.
KELLY, S. M. Nova York processa redes sociais por crise de saúde mental de adolescentes. CNN Brasil, 15 fev. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/nova-york-processa-redes-sociais-por-crise-de-saude-mental-de-adolescentes/. Acesso em: 4 mar. 2024.
LANZA, H. R. Frantz Fanon e a psicologia: contribuições para a prática clínica. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 21, n. 3, p. 1144-1159, set./dez. 2021. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/revispsi/article/view/62732/39409. Acesso em: 4 mar. 2024.
MARQUES, I. P. A saúde mental brasileira sob o olhar decolonial: contribuições para o debate da saúde mental global a partir de uma experiência de cooperação internacional com a Itália. 2020. 164 f. Dissertação (Mestrado em Terapia Ocupacional) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2020.
MENEZES DE SOUZA, L. M. T. Decolonial Pedagogies, Multilingualism and Literacies. Multilingual Margins, v. 6, n. 1, p. 9-13, 2019.
MENEZES DE SOUZA, L. M. T. O professor de inglês e os letramentos do século XXI: Métodos ou Ética? In: JORDÃO, C. M.; MARTINEZ, J. Z.; HALU, R. C. (org.). Formação desformatada: práticas com professores de Língua Inglesa. Campinas, SP: PONTES Editora, 2011. p. 279-303.
MENEZES DE SOUZA, L. M. T.; DUBOC, A. P. M. De-Universalizing the Decolonial: Between Parentheses and Falling Skies. Gragoatá, Niterói, v. 26, n. 56, p. 876-911, 2021.
MENEZES, P. R. Saúde mental deve ser prioridade para a saúde pública no Brasil e no mundo. Folha de S. Paulo, São Paulo, 3 nov. 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2023/11/saude-mental-deve-ser-prioridade-para-a-saude-publica-no-brasil-e-no-mundo.shtml#conteudo. Acesso em: 4 mar. 2024.
MIGNOLO, W. Colonialidade: o lado mais escuro da modernidade. Tradução de Marco Oliveira. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 32, n. 94, p. 1-17, jun. 2017.
MONTE MOR, W. Crítica e letramentos críticos nos Estudos Linguísticos. In: HARKOT-DE-LA-TAILLE, E.; IZARRA, L. P. Z.; ILARI, M. D. S.; CASS, T. R. B. (ed.). Estudos Linguísticos e Literários em Inglês: 50 anos na USP. São Paulo: Editora Timo, 2023. p. 84-103.
MONTE MOR, W. Letramentos críticos e expansão de perspectivas: diálogo sobre práticas. In: JORDÃO, C. M.; MARTINEZ, J. Z.; MONTE MOR, W. (ed.). Letramentos em prática na formação inicial de professores de inglês. Campinas, SP: Pontes, 2018. v. 1. p. 315-335.
NORTON, B. Identity. In: SIMPSON, J. (ed.). Routledge Handbook of Applied Linguistics. London; New York, NY: Routledge, 2011. p. 318-330.
NUNES, L. F. O. M. et al. Os impactos da trajetória acadêmica na saúde mental dos graduandos. Revista Pró-UniverSUS, v. 13, n. 1, p. 118-123, jan./jun. 2022. Disponível em: http://editora.universidadedevassouras.edu.br/index.php/RPU/article/view/3108. Acesso em: 4 mar. 2024.
ONO, F. T P. A formação do formador de professores: uma pesquisa autoetnográfica na área de língua inglesa. 2017. 156 f. Tese (Doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês) – FFLCH, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.
OS REJEITADOS/The Holdovers. Direção: Alexander Payne. Produção: Mark Johnson; Bill Block. Estados Unidos: Focus Features, 2023.
PESSOA, R. R.; SILVESTRE, V. P. V. Gepligo (Grupo de Estudos de Professoras/es de Língua Inglesa de Goiás) em Prosa and Verse: Entre Desaprendizagens and Learning Otherwise. In: PESSOA, R. R. et al. Universidadescola e educação linguística crítica: compartilhando vivências dos GEPLIs GO, MT e DF [Ebook]. 2. ed. Goiânia: Cegraf UFG, 2022. p. 34-51.
QUIJANO, A. Colonialidade do poder e classificação social. In: SOUSA SANTOS, B.; MENESES, M. P. (org.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2009. p. 73-118.
REVISTA TRIP. O sonho de nunca virar chefe. 29 jan. 2024. Instagram: @revistatrip. Disponível em: https://www.instagram.com/p/C2sy1pLvwoC/?igsh=cG9qMDUyYjUweGtr. Acesso em: 4 mar. 2024.
SOUSA SANTOS, B. Para além do pensamento abissal. In: SOUSA SANTOS, B.; MENESES, M. P. (org.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Ed. Almedina, 2009. p. 23-72.
TAKAKI, N. H. Por uma autoetnografia/autocrítica reflexiva. Interletras, v. 8, n. 31, p. 1-20, abr./set. 2020.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (Ufes). Permanecer e Concluir. Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). Vitória: Ufes, 2022. Disponível em: https://permanecer.ufes.br/sites/permanecer.ufes.br/files/field/anexo/20.01.20223_prograna_permanecer_e_concluir.pdf. Acesso em: 4 mar. 2024.
WALSH, C. E. Rising up, Living on: Re-Existences, Sowings, and Decolonial Cracks. Durham, NC: Duke University Press, 2023. 331 p.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Comprehensive Mental Health Action Plan 2013–2030. Geneva: World Health Organization, 2021. ISBN 978-92-4-003102-9 (electronic version). Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/345301/9789240031029-eng.pdf?sequence=1. Acesso em: 4 mar. 2024.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental Health. 2024. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/mental-health#tab=tab_1. Acesso em: 4 mar. 2024.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Lívia Fortes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores de artigos publicados pela RBLA mantêm os direitos autorais de seus trabalhos, licenciando-os sob a licença Creative Commons BY Attribution 4.0, que permite que os artigos sejam reutilizados e distribuídos sem restrição, desde que o trabalho original seja corretamente citado.


