De espadas e balas a movimentos radicais de vida
educação linguística e o mal-estar civilizatório
Palavras-chave:
crise civilizatória, educação linguística, (auto)crítica radicalResumo
Neste artigo, partimos da compreensão (auto)crítica de que, devido ao seu enraizamento em ideologias linguístico-coloniais, a educação linguística contribuiu significativamente para reproduzir a visão colonial de progresso que nos levou ao enquadre contemporâneo de crise civilizatória. Portanto, o nosso principal objetivo é apresentar uma (auto)crítica radical da natureza civilizatória da educação linguística, para que seja possível engendrar uma forma anticivilizatória de pensar-fazer a educação linguística em que a vida seja afirmada. Para desenvolver essa ideia, apresentamos e discutimos uma práxis linguística alternativa em aulas de inglês em uma escola pública, que, a nosso ver, oferece possibilidades para uma transição civilizatória nesse campo. Concluímos retomando alguns elementos centrais da nossa discussão para propor uma visão de educação linguística que fracasse radicalmente o projeto moderno-colonial de civilização.
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