Representações, musealizações e museificações da amazônia

Notas sobre a percepção do exógeno em duas frações da sociedade amazônica

Autores

  • Fábio Castro Universidade Federal do Pará (UFPA)

DOI:

https://doi.org/10.35699/2316-770X.2021.46238

Palavras-chave:

Amazônia, Musealização, Museificação, Exógeno, Representação

Resumo

O artigo reflete sobre o espaço amazônico por meio dos conceitos de musealização e museificação. Para fazê-lo, apresenta dados recolhidos junto a dois diferentes campos da complexa sociedade amazônica, indagando a respeito de como esses campos sociais interpretam as representações exógenas produzidas sobre a região. Considerando a visibilidade que o espaço amazônico possui na sociedade globalizada contemporânea, ensaia-se pensá-lo por meio do conceito de musealização, considerando, para isso, os processos de agenciamento e de mediação de suas condições sociais de comunicação, identificação, identidade e autocompreensão. Em oposição, discute-e, igualmente, o processo de museificação, que sugere uma dada condição de incomunicabilidade e, nessa condição, de apartamento radical da experiência social vivencial. O artigo propõe elementos para uma reflexão dialética entre uma percepção social amazônica que se produz como musealização, buscando produzir comunicação e, por oposição, uma percepção do espaço amazponico como museificação, centrada na ideia de informação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ABRIC, Jean-Claude. A abordagem estrutural das representações sociais. In: MOREIRA, Antonia Silva Peres; OLIVEIRA, Denise Cristina de (org.). Estudos interdisciplinares de representação social. 2. ed. Goiânia: AB, 2000. p. 27-37.

AMARAL FILHO, Otacílio. Marca Amazônia: o marketing da floresta. Curitiba: CVR, 2016.

AMARAL FILHO, Otacílio; CASTRO, Fábio Fonseca de; COSTA, Alda Cristina Silva da. Marca Amazônia: estratégias de comunicação publicitária, ambientalismo e sustentabilidade. Revista de Comunicação Midiática, Bauru, v. 10, n. 3, p. 105-118, 2015.

BOLLE, Willi; CASTRO, Edna; VEJMELKA, Marcel. Amazônia: região universal e teatro do mundo. São Paulo: Globo, 2010.

BOURDIEU, Pierre. La noblesse de l’état. Paris: Minuit, 1989.

BOURDIEU, Pierre. Le sens pratique. Paris: Minuit, 1980.

BOURDIEU, Pierre. Questions de sociologie. Paris: Minuit, 1984.

BOURDIEU, Pierre. Réponses: pour une anthropologie réflexive. Paris: Le Seuil, 1992.

CASTRO, Fábio Fonseca de. A identidade denegada: discutindo as representações e a autorrepresentação dos caboclos da Amazônia. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 56, n. 2, p. 431-475, 2013.

CASTRO, Marina Ramos Neves de. A antropologia dos sentidos e a etnografia sensorial: dissonâncias, assonâncias e ressonâncias. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 64, n. 2, p. 1-20, 2021.

CLIFFORD, James. On ethnographic allegory. In: CLIFFORD, James; MARCUS, George (ed.). Writing culture: the poetics and politics of ethnography. Berkeley: University of California Press, 1986. p. 98-121.

COSTA, Francisco de Assis. A brief economic history of the Amazon (1720-1970). Cambridge: Cambridge Scholars Publishing, 2018.

COSTA, Francisco de Assis. Economia camponesa: eficiência reprodutiva e capacidade de permanência. Belém: Naea, 2010.

COSTA, Francisco de Assis. Elementos para uma economia política da Amazônia: historicidade, territorialidade, diversidade, sustentabilidade. Belém: Naea, 2012a.

COSTA, Francisco de Assis. Formação rural extrativista na Amazônia: os desafios do desenvolvimento capitalista (1720-1970). Belém: Naea, 2012b.

DERRIDA, Jacques. Mal d’archive : une impression freudienne. Paris: Galilée, 1995.

DUHAMEL, Philippe; KNAFOU, Rémy. Mondes urbains du tourisme. Paris: Belin, 2007.

DUTRA, Manuel de Sena. A natureza da mídia: os discursos da TV sobre a Amazônia, a biodiversidade, os povos da floresta. São Paulo: Annablume, 2009.

GALVÃO, Eduardo. Santos e visagens: um estudo da vida religiosa de Itá. São Paulo, Editora Nacional, 1955.

GEERTZ, Clifford. O saber local: novos ensaios em antropologia interpretativa. Petrópolis: Vozes, 2014.

GONDIM, Neide. A invenção da Amazônia. 2. ed. Manaus: Valer, 2007.

HEIDEGGER, Martin. Sobre o humanismo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967.

___________. Sein und zeit. In: HEIDEGGER, Martin. Gesamtausgabe. v. 2. Frankfurt: Vittorio Klostermann, 1976..

___________. Être et temps. Paris: Authentica, 1985.

___________. Ser e tempo. 4. ed. Tradução de Marci Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis: Vozes, 1993.

HUSSERL, Edmund. Ideen zu einer reinen phänomenologie und phänomenologischen philosophie. Hague: Martinus Nijhoff, 1952.

INGOLD, Tim. Anthropology is not ethnography. Proceedings of the British Academy, Oxford, n. 154, p. 69-92, 2008.

JODELET, Denise. Representações sociais: um domínio em expansão. In: JODELET, Denise (org.). Representações sociais. Rio de Janeiro: Eduerj, 2001. p. 17-44.

KRUGER, Marcos Frederico. A Amazônia na visão dos viajantes. Recife: Congresso Brasileiro de Tropicologia, 1987.

LIMA, Deborah de Magalhães. A construção histórica do termo caboclo sobre estruturas e representações sociais no meio rural amazônico. Novos Cadernos do NAEA, Belém, v. 2, n. 2, p. 1-20, 1999.

MARCUS, George; FISCHER, Michael M. Anthropology as cultural critique: an experimental moment in the human sciences. 2. ed. Chicago: University Chicago Press, 2014.

MENDES, Armando Dias. A invenção da Amazônia: alinhavos para uma história de futuro. 3. ed. Belém: BASA, 1999.

MORAN, Emílio. Developing the Amazon. Bloomington: Indiana University Press, 1981.

MOSCOVICI, Serge. Das representações coletivas às representações sociais. In: JODELET, Denise (org.). Representações sociais. Rio de Janeiro: Eduerj, 2001. p. 45-66.

MOSCOVICI, Serge. L’ère des représentations sociales. In: DOISE, W.; PALMONARI, G. (ed.). L’étude des représentations sociales. Neuchâtel: Delachaux et Niestlé, 1986.

MOSCOVICI, Serge. Prefácio. In: GUARESCHI, Pedrinho; JOVCHELOVITCH, Sandra (org.). Texto em representações sociais. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1995. p. 261-293.

MOSCOVICI, Serge. Representações sociais: investigações em psicologia social. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2004.

PEIRANO, Mariza. Etnografia não é método. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 20, p. 377-391, 2014.

PRATT, Marie Louise. Fieldwork in common places. In: CLIFFORD, James; MARCUS, George (ed.). Writing culture: the poetics and politics of ethnography. Berkeley: University of California Press, 1986. p. 27-50.

PRESSLER, Neusa. Econegócios e cooperação internacional: novos discursos sobre a Amazônia. In: BOLLE, Willi; CASTRO, Edna; VEJMELKA, Marcel. Amazônia: região universal e teatro do mundo. São Paulo: Globo, 2010.

SÁ, Samuel Maria de Amorim. O imaginário social sobre a Amazônia: antropologia dos conhecedores. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 6, p. 889-900, 2000.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. São Paulo: Cortez, 2002a.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para uma sociologia das ausências e uma sociologia das emergências. Revista Crítica de Ciências Sociais, Lisboa, v. 63, p. 237-280, 2002b.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 14. ed. Porto: Afrontamento, 2003.

SCHUTZ, Alfred. Le chercheur et le quotidien. Paris: Méridiens Klincksieck, 1987.

SCHUTZ, Alfred. Le problème de l’intersubjectivité trancendantale transcendantale selon Husserl. In: HUSSERL, Edmund. Colloque philosophique de Royaumont. Paris: Minuit, 1959.

SCHUTZ, Alfred. Phenomenology of the social world. Evanston: Northwestern, 1967.

SPINK, Mary Jane P. O estudo empírico das representações sociais. In: SPINK, Mary Jane P. (org.). O conhecimento no cotidiano: as representações sociais na perspectiva da psicologia social. São Paulo: Brasiliense, 1995. p. 85-108.

WAGLEY, Charles. Amazon town, a study of man in the tropics. Oxford: Oxford University Press, 1976.

Downloads

Publicado

2023-05-18

Como Citar

CASTRO, F. Representações, musealizações e museificações da amazônia: Notas sobre a percepção do exógeno em duas frações da sociedade amazônica. Revista da UFMG, Belo Horizonte, v. 28, n. 3, p. 147–165, 2023. DOI: 10.35699/2316-770X.2021.46238. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadaufmg/article/view/46238. Acesso em: 19 maio. 2024.

Edição

Seção

Artigos