v. 3 n. 1 (2022): Dossiê - Da crítica ao dispositivo da propriedade à aposta no comum: corpos, colonialidades, mundos (jan/jun 2022)
Artigos

O potencial democratizante da desobediência civil

Robin Celikates
Universidade Livre de Berlim, Berlim, Alemanha
Biografia
Bárbara Nascimento de Lima
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil
Biografia

Publicado 06-09-2022

Palavras-chave

  • desobediência civil,
  • crítica ao liberalismo,
  • teoria democrática,
  • contestação política,
  • violência e não-violência

Como Citar

CELIKATES, R.; LIMA, B. N. de. O potencial democratizante da desobediência civil. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 3, n. 1, p. 138–152, 2022. DOI: 10.53981/destroos.v3i1.39896. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/39896. Acesso em: 21 jul. 2024.

Resumo

O presente artigo objetiva demonstrar que as principais tradições liberais da desobediência civil falham ao não conseguir capturar completamente as características específicas desse fenômeno enquanto prática de contestação genuinamente democrática e política, uma vez que a desobediência civil não pode ser simplesmente reduzida a uma compreensão legal ou ética em termos de consciência individual ou de fidelidade ao direito. Ao desenvolver essa proposta com mais detalhes, primeiro defino a desobediência civil com o propósito de explicar cuidadosamente porque o modelo liberal padrão, embora capaz de prover um ponto de partida útil, em última análise leva a uma compreensão excessivamente restrita, domesticada e higienizadora da complexa prática política que é a desobediência civil. Em segundo lugar, eu localizo a prática política da desobediência entre dois polos opostos: a política simbólica e o confronto real, argumentando que a irredutível tensão entre esses polos explica precisamente seu potencial politizante e democratizante. Ao final, examino brevemente o papel da desobediência civil nas democracias representativas, abordando, para tanto, uma série de argumentos recentes feitos em resposta a esse entendimento radicalmente democrático da desobediência.

 

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