v. 6 n. 2 (2025): Animais políticos: animalidade, comunidade e o futuro do corpo político (publicação contínua)
Dossiê especial

Lutos insurgentes na animalidade (in)humana: tensões políticas entre fúria nostálgica e fúria queer em Judith Butler

Iverson Custódio Kachenski
Universidade Federal de Santa Catarina
Biografia

Publicado 05-01-2026

Palavras-chave

  • animalidade (in)humana,
  • luto insurgente,
  • fúria queer,
  • Judith Butler

Como Citar

KACHENSKI, Iverson Custódio. Lutos insurgentes na animalidade (in)humana: tensões políticas entre fúria nostálgica e fúria queer em Judith Butler. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 6, n. 2, p. e60014, 2026. DOI: 10.53981/destrocos.v6i2.60014. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/60014. Acesso em: 15 jan. 2026.

Resumo

Este artigo, inserido no campo da filosofia política, investiga as articulações entre luto, animalidade e mobilização afetiva, a partir da obra de Judith Butler. O texto tem dois objetivos centrais: o primeiro é compreender como a animalidade (in)humana pode operar como um modo de desestabilizar o antropocentrismo na definição do humano, abrindo caminho para formas de reconhecimento político de vidas dissidentes por meio de alianças e assembleias; o segundo é examinar a fúria como uma força política, distinguindo duas formas opostas: a fúria queer, crítica, ética e não violenta, que visa transformar estruturas opressivas sem reproduzi-las; e a fúria nostálgica, regressiva, ressentida e destrutiva, que busca restaurar uma ordem social excludente. A abordagem metodológica adota uma perspectiva pós-estruturalista e desconstrucionista, priorizando a leitura crítica dos dispositivos de poder que determinam quem pode ser reconhecido como humano e quem permanece fora do luto legítimo. No mesmo caminho, propõe-se uma leitura cartográfica das perdas não reconhecidas, especialmente aquelas que recaem sobre corpos considerados menos que humanos. Como resultado, evidencia-se a importância de diferenciar as formas de mobilização política movidas pela fúria, sobretudo em contextos onde o luto insurgente emerge de uma posição liminar entre o humano e o animal, desafiando hierarquias normativas da vida.

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