Xangô

como anarquizar uma sociedade bem ordenada

Autores

  • Adalberto Antonio Batista Arcelo Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil
  • Joaquim Leonardo Lopes Louzada de Freitas Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil https://orcid.org/0009-0000-2564-1750

DOI:

https://doi.org/10.53981/destroos.v4i1.46405

Palavras-chave:

cultura híbrida, decolonialidade, filosofias africanas, justiça como equidade, justiças pluriversais

Resumo

Este trabalho propõe uma análise da estrutura de conhecimento moderno-colonial, materializada na teoria da justiça de John Rawls, vez que esta atualiza o paradigma da consciência como condição de possibilidade da ordem do discurso, redimensionando a linha abissal entre o ser e o não ser, transformando-a em vala comum para o depósito, a subalternização e a eliminação de corpos e de existências não brancas. Neste cenário, a teoria da justiça de Rawls repercute como uma teoria racializada, contribuindo para a exclusão de corpos orientados por outras cosmovisões — não ocidentais — do acesso a um pretenso sistema racional de justiça. Trata-se de uma imparcialidade farsante, operacionalizada através da abstração das relações sociopolíticas e raciais. Percebe-se que a aplicação desse sistema simbólico no contexto brasileiro, fortemente marcado pelo hibridismo cultural constitutivo de nossa genealogia, redunda na atualização de tradições subalternizantes e subalternizadas — daí a urgência em se atentar para possibilidades de deliberação por justiças pluriversais. Subsídios fornecidos pela filosofia social crítica e decolonial são empregados para impulsionar a visibilização de tradições pretas ancestrais e, especificamente, de saberes e poderes dos Orixás Exu e Xangô. Promove-se, assim, concepções transculturais de justiça, habilitadas a superar a perversa linha abissal subjacente a narrativas de justiça desumanizantes.

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Biografia do Autor

  • Adalberto Antonio Batista Arcelo, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil

    Doutor em Filosofia do Direito e professor da Faculdade Mineira de Direito (PUC MG). E-mail: adalbertoarelo@gmail.com

  • Joaquim Leonardo Lopes Louzada de Freitas, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil

    Graduando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). E-mail: joaquimleonardo0@gmail.com

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Publicado

12-09-2023

Como Citar

ARCELO, Adalberto Antonio Batista; FREITAS, Joaquim Leonardo Lopes Louzada de. Xangô: como anarquizar uma sociedade bem ordenada. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 4, n. 1, p. e46405, 2023. DOI: 10.53981/destroos.v4i1.46405. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/46405. Acesso em: 28 fev. 2026.

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