Nietzsche e o animal político

crítica ao logos político e a potência multiespécie

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53981/destrocos.v6i2.60010

Palavras-chave:

Nietzsche, Animalidade, Biopolitica, Animal político, Vontade de poder

Resumo

Este artigo propõe uma releitura da filosofia de Friedrich Nietzsche à luz da questão da animalidade e sua relação com o político, confrontando a tradição aristotélica do zōon politikon e sua hierarquia baseada no logos. Argumenta-se que Nietzsche não apenas critica a exclusão da animalidade do âmbito político, mas também reconhece nela uma força criativa e insurgente capaz de reconfigurar as noções de comunidade e corpo político. Através de conceitos como “vontade de poder”, “inocência do devir” e “grande saúde”, Nietzsche subverte a dicotomia humano/animal e antecipa críticas biopolíticas contemporâneas, sugerindo uma política “multiespécie” fundada na corporeidade e no instinto, em oposição à racionalidade soberana. O artigo dialoga com teóricos como Giorgio Agamben, Donna Haraway e Frans de Waal para explorar as implicações nietzscheanas para uma reinvenção pós-antropocêntrica do político.

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Biografia do Autor

  • Matheus Becari Dias, Universidade Estadual de Londrina

    Matheus Becari Dias é doutorando em Filosofia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com bolsa pelo Programa de Demanda Social da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

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Publicado

20-08-2025

Como Citar

DIAS, Matheus Becari. Nietzsche e o animal político: crítica ao logos político e a potência multiespécie. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 6, n. 2, p. e60010, 2025. DOI: 10.53981/destrocos.v6i2.60010. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/60010. Acesso em: 27 fev. 2026.

Dados de financiamento

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