A banalidade da necropolítica
DOI:
https://doi.org/10.53981/destrocos.v7i2.63847Palavras-chave:
banalidade, Biopolítica, Necropolítica, PolíticaResumo
Neste artigo, estabelecemos um paralelo inicial entre a "banalidade do mal", conceito cunhado por Hannah Arendt em seu livro Eichmann em Jerusalém, e a "necropolítica", proposta por Achille Mbembe no início do século XXI, argumentando sobre o esvaziamento dos propósitos críticos da necropolítica. Quando Arendt descreve o mal como banal ao observar a trivialidade com que Eichmann executou ordens hediondas durante o Holocausto, destacando a normalização da violência extrema, é a naturalidade do horror que torna o termo banal tão desconfortável. Mbembe, por sua vez, desenvolve o conceito de necropolítica para analisar como o poder contemporâneo decide quem pode viver e quem deve morrer, especialmente em contextos de colonialismo, racismo e soberania estatal. O presente texto aponta como ambos os conceitos foram rapidamente assimilados e banalizados pela opinião pública, perdendo parte de seu impacto original. A necropolítica, em particular, foi amplamente utilizada em discursos midiáticos e políticos, muitas vezes de forma simplista e equivocada, distanciando-se de sua complexidade filosófica. O artigo alerta para o risco de esvaziamento do conceito, que pode ser instrumentalizado para fins contrários aos propostos por Mbembe. Por fim, defendemos a necessidade de reterritorializar o conceito, desbanalizando a sua banalização e preservando o seu potencial crítico.
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