Pode Foucault nos ensinar algo sobre o trabalho?
arqueologia e genealogia do trabalho da Idade Clássica ao neoliberalismo
DOI:
https://doi.org/10.53981/destrocos.v7i2.66447Palavras-chave:
Foucault, Trabalho, Genealogia, Arqueologia, DisciplinaResumo
O presente artigo investiga a existência de uma teoria do trabalho na obra de Foucault, fazendo recurso aos diferentes momentos de sua obra em que a questão do trabalho é discutida, passando tanto por sua fase arqueológica quanto pela genealogia, sem deixar de lado a questão da subjetivação. É demonstrado o papel que o trabalho tem, na Idade Clássica, como o negativo da civilização em História da Loucura, para então demonstrar a transição epistêmica que faz com que o trabalho surja como categoria propriamente econômica na modernidade (com Smith e Ricardo), em que ele se torna um transcendental objetivo. Depois, articula-se o trabalho como objeto de saber com a genealogia do trabalho enquanto trabalho, processo envolto em dinâmicas de poder disciplinares, desembocando na biopolítica das populações produtivas. Por fim, adentramos a mutação neoliberal do trabalho, que o decompõem, à imagem do capital, em capital humano e renda, resultando na figura subjetiva do empresário de si mesmo. Conclui-se que a crítica da tese do trabalho como universal antropológico (identificada por Foucault a um genérico ar dos tempos marxista e neo-hegeliano), em prol de uma investigação arqueo-genealógica situada dos modos de objetivação e subjetivação do trabalho, constitui objeto maior da preocupação foucaultiana com o tema.
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