HOW MANY RIFTING EVENTS PRECEDED THE DEVELOPMENT OF THE ARAÇUAÍ-WEST CONGO OROGEN?

Authors

  • Antônio Carlos Pedrosa-Soares CPMTC-IGC-UFMG, Belo Horizonte, MG.
  • Fernando Flecha de Alkmim DEGEO-Escola de Minas-UFOP, Ouro Preto, MG.

DOI:

https://doi.org/10.18285/geonomos.v19i2.56

Keywords:

Rifte, magmatismo anorogênico, Orógeno Araçuaí-Congo Ocidental, Cráton São Francisco-Congo

Abstract

QUANTOS EVENTOS DE RIFTEAMENTO PRECEDERAM O DESENVOLVIMENTO DO ORÓGENO ARAÇUAÍ-CONGO OCIDENTAL? A edificação do Orógeno Araçuaí-Congo Ocidental teve início por volta de 630 Ma, como indicam as idades U-Pb mais antigas até agora obtidas de rochas do seu arco magmático. Esta orogenia foi precedida de, pelo menos, seis eventos de rifteamento e/ou magmatismo anorogênico que afetaram a região ocupada pelo Orógeno Araçuaí-Congo Ocidental, bem como o domínio cratônico São Francisco-Congo a ele adjacente. São eles os eventos E1 (Estateriano, 1,77-1,7 Ga), E2 (Calimiano, 1,57-1,5 Ga), E3 (Esteniano, 1,18 - ? Ga), E4 (no limite Esteaniano-Toniano, ca. 1 Ga), E5 (Toniano, 930-850 Ma) e E6 (Criogeniano, 750-670 Ma). O evento E1, chamado de Tafrogênese Estateriana, teve lugar entre 1,77 e 1,70 Ga e tem como registros mais importantes a deposição rifte das unidades sedimentares e vulcânicas da base do Supergrupo Espinhaço, bem como o alojamento dos plutons anorogênicos das suítes Borrachudos e Lagoa Real. O evento E1 é sucedido por uma nova fase de distensão durante o período Calimiano, em torno de 1,57 Ga, que é representada no Espinhaço Setentrional e Chapada Diamantina por rochas sedimentares e vulcânicas da porção média do Supergrupo Espinhaço. Manifestações do evento E3 (Esteniano) tiveram início em torno de 1,18 Ga com a deposição da Formação Sopa-Brumadinho (Supergrupo Espinhaço), exposta na Faixa Araçuaí. Os três primeiros eventos (E1, E2 e E3) parecem não ter ocorrido na Faixa Congo Ocidental. Nesta faixa, os granitos Noqui (999 ± 7 Ma) e rochas vulcânicas associadas representam um magmatismo anorogênico do limite Esteniano-Toniano, registrando um evento provavelmente local (E4), mas que pode ser correlacionável aos diques máficos de idade similar que ocorrem no sul da Bahia, no extremo oriental do Cráton São Francisco. As espessas sucessões de rochas vulcânicas bimodais dos grupos Zadiniano e Mayumbiano (930-910 Ma) constituem os principais registros do evento E5 na Faixa Congo-Ocidental. O magmatismo anorogênico representado pela Suíte Salto da Divisa e enxames de diques máficos tonianos (e.g., Pedro Lessa e Espinhaço Setentrional), assim como, muito provavelmente, os depósitos pré-glaciais da bacia Macaúbas são manifestações de E5, em terrenos do Orógeno Araçuaí e Cráton do São Francisco. O evento criogeniano, E6, é evidenciado pela Província Alcalina do Sul da Bahia entre 735 e 675 Ma, e, muito provavelmente, pelas formações diamictíticas do Grupo Macaúbas e unidades correlativas na Faixa Congo Ocidental, e pelo vulcanismo félsico La Louila (≤ 713 Ma) do sudoeste do Gabão. O evento E6 evoluiu para espalhamento oceânico no setor centro-sul da Bacia Macaúbas, mas este processo não afetou a parte norte desta bacia e, por isto, deixou íntegra a ligação continental (a ponte Bahia-Gabão) entre a Península São Francisco e o Continente Congo. De fato, nenhum dos eventos distensionais mencionados logrou levar à ruptura a placa São Francisco-Congo que, aglutinada na transição Riaciano-Orosiriano (ca. 2,05 Ga), permaneceu íntegra até o Cretáceo Inferior quando, então, o rifte Atlântico finalmente conseguiu desmembrá-la.

Palavras-chave: rifte, magmatismo anorogênico, Orógeno Araçuaí-Congo Ocidental, Cráton São Francisco-Congo

 

ABSTRACT: The development of the Araçuaí-West Congo orogen (AWCO) started around 630 Ma, as suggested by U-Pb ages from the oldest rocks yet found in its pre-collisional magmatic arc. This orogeny was preceded by at least six events of rifting and/or anorogenic magmatism, which affected the area occupied by the AWCO and the adjacent São Francisco-Congo craton, namely: the Statherian E1 (1.77-1.7 Ga), Calymmian E2 (1.57-1.5 Ga), Early Stenian E3 (1.18 - ? Ga), Stenian-Tonian E4 (ca. 1 Ga), Tonian E5 (930-850 Ma) and Cryogenian E6 (750-670 Ga) events. The E1 event, currently referred to as the Statherian taphrogenesis, took place between ca. 1.77 Ga and 1.7 Ga. It is recorded by the rift-related sedimentary and volcanic rocks of the basal section of the Espinhaço Supergroup, as well as the anorogenic plutons of the Borrachudos and Lagoa Real suites. The E1 event was followed by a Calymmian episode, the E2 (ca. 1.57 Ga), recorded in the northern Espinhaço range and Chapada Diamantina by sediments and volcanics of the middle portion of the Espinhaço Supergroup. The manifestations of the Stenian E3 event started around 1.18 Ga with the syn-rift deposition of the Sopa-Brumadinho Formation (Espinhaço Supergroup), exposed in the Araçuaí belt. The first three events (E1, E2 and E3) are so far not found in the West Congo belt. In this belt, a magmatism took place at the Stenian-Tonian time boundary, the anorogenic Noqui granites (ca. 999 ± 7 Ma) and related volcanic rocks, recording a probably local extensional event, E4, which can be correlated to mafic dykes of similar age found in southern Bahia (eastern tip of the São Francisco craton). The thick bimodal volcanic pile of the Zadinian and Mayumbian groups and related intrusions are the main records of the Tonian E5 event in the West Congo belt. The A-type Salto da Divisa Suite and Tonian mafic dykes (e.g., Pedro Lessa and Northern Espinhaço range), as well as the deposition of the pre-glacial formations of the Macaúbas basin are manifestations of the E5 event in the Araçuaí orogen and São Francisco craton. Records of the Cryogenian E6 event include the Southern Bahia alkaline province (ca. 735-675 Ma) and, probably, the La Louila felsic volcanism in SW Gabon (≤ 713 Ma), as well as the deposition of the diamictitic formations of the Macaúbas Group and correlatives. The E6 event evolved to oceanic spreading in the central-southern Macaúbas basin, but this process died out toward north keeping unbroken the continental link between the São Francisco peninsula and Congo continent (the Bahia-Gabon bridge). In fact, all those extensional events were unsuccessful in splitting the São Francisco-Congo plate, which amalgamated in the Rhyacian-Orosirian time boundary (ca. 2.05 Ma) and remained as such until the Lower Cretaceous, as the Atlantic rifting then successfully broke through the old continental mass.

Keywords: rift, anorogenic magmatism, Araçuaí-West Congo orogen, São Francisco-Congo craton

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Published

2013-02-13