Extensão universitária em interface com as epistemologias e práxis das psicologias indígenas
diálogos sobre conhecimento, território e cuidado na formação acadêmicada graduação e pós-graduação
DOI:
https://doi.org/10.35699/2318-2326.2026.59349Palavras-chave:
Extensão universitária, Permanência estudantil, Psicologias IndígenasResumo
O presente artigo reflete sobre a extensão universitária na pós-graduação, articulada com a graduação e com o campo da(s) Psicologia(s) Indígena(s), a partir da experiência do projeto de extensão “Honrar as raízes é plantar as sementes para um novo reflorestar”, vinculado à UFMG. O projeto emerge como uma etapa de pesquisa de mestrado e teve como foco a permanência, resistência e valorização das trajetórias de estudantes indígenas na universidade pública. A iniciativa foi construída de forma colaborativa, com protagonismo indígena, e utilizou oficinas como metodologia de escuta, diálogo, acolhimento e fortalecimento coletivo. O texto discute a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, ressaltando o papel transformador da extensão na formação acadêmica e na produção de saberes contra-hegemônicos. A articulação com epistemologias indígenas proporcionou uma prática psicossocial contextualizada, ética e intercultural, contribuindo para uma psicologia plural e comprometida com a justiça social. A experiência revelou o potencial da extensão como espaço político de aprendizagem, escuta e valorização de saberes ancestrais, promovendo a contracolonização dos espaços acadêmicos e das práticas psicológicas.
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