O hábito franciscano ou uma história de querelas: iconografia e sociabilidade em Minas Gerais nos séculos XVIII e XIX
Publicado 2026-08-24
Copyright (c) 2026 Adriano Cézar de Oliveira

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Resumo
Desde sua origem, a Ordem dos Frades Menores foi marcada por disputas internas e rupturas significativas, tensões que influenciaram a forma e o conteúdo das representações do santo fundador, especialmente no que se refere à figuração do hábito franciscano. Nesse contexto, este artigo tem como objetivo analisar a história do hábito franciscano e as controvérsias em torno de sua configuração e significado. Para tanto, serão examinados textos legislativos de Francisco de Assis (1182-1226) e das Ordens Franciscanas, bem como fontes hagiográficas, buscando compreender os sentidos, funções e significados atribuídos a essa veste religiosa. Além disso, será analisada a iconografia do hábito franciscano presente no repertório pictórico dos templos da Ordem Terceira de São Francisco, das Arquiconfrarias do Cordão de São Francisco, dos Hospícios da Terra Santa e de outros espaços culturais, com o propósito de identificar os impactos de suas representações e usos no cotidiano religioso dos séculos XVIII e XIX em Minas Gerais. A análise evidencia que as transformações e disputas em torno do hábito franciscano ultrapassaram questões estritamente vestimentares, constituindo-se como elemento central de identidade, memória e legitimação das diferentes experiências franciscanas.