v. 5 n. 1 (2026): En los albores del retablo americano
Artigos Livres (fluxo contínuo)

As torres das igrejas de Itu

Carlos Gutierrez Cerqueira
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional de São Paulo (Iphan-SP)

Publicado 2026-08-24

Como Citar

Resumo

O estudo da arquitetura religiosa paulista do Período Colonial tem avançado a partir de práticas e reflexões teóricas acerca da preservação do patrimônio histórico. Este artigo pretende examinar alguns aspectos da formação e da evolução das igrejas coloniais da cidade de Itu, tomando como ponto de partida a observação de que as torres, geralmente construídas ao final das obras, marcam o encerramento do ciclo criativo dessas edificações. Com base na experiência acumulada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no restauro de igrejas coloniais, discute-se o modo progressivo de construção dessas edificações, iniciado pela capela-mor e desenvolvido posteriormente com a sacristia, dependências administrativas e a nave. Este texto aborda também as transformações ocorridas a partir da segunda metade do século XVIII, quando a introdução do tijolo e da pedra de cantaria passou a permitir o enriquecimento das fachadas e a exteriorização de elementos decorativos antes restritos ao interior das igrejas, sobretudo aqueles associados ao barroco, processo identificado pelo arquiteto Luís Saia como uma renovação estilística da paisagem urbana paulista. Nesse contexto, discute-se ainda a relação entre arte e arquitetura no processo construtivo das igrejas, frequentemente desenvolvido ao longo de décadas e condicionado pela disponibilidade de recursos e de artífices. Esta análise destaca também o papel desses templos na organização do espaço urbano colonial, particularmente em Itu, onde suas implantações definiram o eixo estruturador do núcleo histórico da cidade. Por fim, o artigo dialoga com as contribuições de Alois Riegl acerca da atribuição de valor aos monumentos; problematizando as tensões entre criação artística, fruição contemporânea e preservação do patrimônio, bem como dialoga com as contribuições fundamentais de Cesare Brandi para o restauro das obras de arte e dos monumentos arquitetônicos.