COMPETÊNCIAS DO FEMININO?

NORMAS, SABERES E VALORES NO OFÍCIO DE COSTUREIRAS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2022.38689

Palavras-chave:

Abordagem Ergológica do Trabalho, Relações Sociais de Sexo, Divisão sexual do trabalho, Costureiras, Cadeia têxtil

Resumo

Muitas foram as conquistas feministas nos últimos anos – que se deram em diferentes setores, incluindo no mundo do trabalho – mas ainda hoje a mulher busca uma reorganização dos papéis até agora destinado a elas na sociedade. Dentro dessa realidade, a pesquisa propõe responder à questão: em que medida os saberes constituídos pelas mulheres no âmbito do trabalho reprodutivo, são mobilizados nas relações de trabalho produtivo apontando aspectos da dinâmica entre estes, por meio da análise das competências evidenciadas em situações de trabalho. A orientação teórica que fundamentou as reflexões e análises aqui apresentadas tem dois eixos principais, a abordagem ergológica do trabalho e a perspectiva de relações sociais de sexo. Posicionar-se em uma pesquisa por meio da abordagem ergológica significou compreender o trabalho como um misto de conhecimentos técnicos com a ação humana, numa relação repleta de singularidades diante das demandas do mundo trabalho. Já a sociologia materialista e feminista, assentada na divisão sexual do trabalho e nas relações sociais de sexo, trouxeram abundante contribuições para análises do trabalho em sua dimensão coletiva e individual, sendo que a passagem do individual para o coletivo tem sentidos e significados segundo o sexo/gênero. A metodologia utilizada teve como aporte o método materialista histórico, em termos de técnicas e ferramentas inicialmente realizou-se procedimentos e técnicas referente a pesquisa exploratória, incluindo revisão da literatura e estudo preliminar. O estudo preliminar foi realizado em um curso de corte/costura e mediante observação e entrevista de uma costureira em ofício. Com base nessa aproximação preliminar do objeto de estudo definiu-se categorizações de análise, realizou-se um estudo de caso com duas costureiras com o objetivo de acompanhar e observar o trabalho de perto, para conhecer como cada indivíduo, único que carrega consigo suas histórias, realiza a atividade. Foram, escolhidas mulheres que exerciam o ofício de costureira em casa, os dados foram coletados por meio de observação e entrevista semiestruturada. Os achados da pesquisa apontaram que ofício de costureira se inscreve categorização dispostas na divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo, atingindo outras camadas de análise sintetizada no conceito de consubstancialidade que trata da indissociabilidade entre gênero e classe e raça. Quanto ao agir em competência constatou-se que a costureira se posiciona diante das infidelidades do meio e discrepâncias de normas existentes, ela faz uso de si por meio dos debates de normas com seus saberes e valores, ou seja, a partir do momento que a sua história se infiltra na situação de trabalho a atividade emerge.

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Biografia do Autor

Mislene Aparecida Gonçalves Rosa, FaE/UFMG

Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG), Mestra em Educação Tecnológica pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). Graduada em Engenharia Mecânica e Engenharia de Segurança do Trabalho pela PucMinas.

 

 

 

Doutoranda em Educação - Universidade Federal de Minas Gerais, FaE/UFMG. Mestrado em Educação Tecnológica - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, CEFET-MG. Graduação em Engenharia Mecânica e Engenharia de Segurança do Trabalho.

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Publicado

2022-05-27

Como Citar

ROSA, M. A. G. COMPETÊNCIAS DO FEMININO? : NORMAS, SABERES E VALORES NO OFÍCIO DE COSTUREIRAS. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 31, n. 1, p. 167–169, 2022. DOI: 10.35699/2238-037X.2022.38689. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/38689. Acesso em: 27 nov. 2022.

Edição

Seção

RESUMOS