A CRISE DO TRABALHO NOS DISCURSOS DE UNIVERSIDADES PÚBLICAS PORTUGUESAS: A EPISTEMOLOGIA DO CONTRABANDISTA NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO / The crisis of work in the speeches of Portuguese public universities: an epistemology of the smuggler in the society

  • Gabriel Henrique Idalgo Universidade do Porto
  • José Alberto de Azevedo e Vasconcelos Correia Universidade do Porto
  • Maria Teresa Guimarães de Medina Universidade do Porto
Palavras-chave: Labor Crisis, University, Society of Knowledge, Crise do Trabalho, Universidade, Sociedade do Conhecimento

Resumo

This paper reflects how the labor crisis expresses on discourses from Portuguese public universities. The structural crisis of Fordism-Keynesianism, started on 1970’s, generate a set of economic and social shifts. These changes are defined as economic adjustments, but simultaneously deepen the essential contradictions on capital-labor relation in the society. On this context, emerges the hegemonic discourse that attributes a central role to the knowledge in the economic development in our society, reducing the knowledge statute to one instrument, whose value is defined by its utility in productive systems. The analysis on Action Programs of three Portuguese public universities, moved us to identify the emergence of a paradigm of higher education which seeks to adapt the institutions to the determinations of the global process of economic flexibilization. This allowed us to identify that this paradigm is funded on one evolutive and positive perspective of science, which - based in a successive perspective of time - assumes the de development as one positive and evolutive process. In this conception, the immanent contradictions of the capitalist development became surmountable by the mere scientific development instead of the critic of its own scientific premises. In this regard, we propose the assumption of an “smuggler” scientific paradigm which would allow the scientific reflection to move from the contradictions of the relation between labor and the scientific knowledge by paths that subvert the limits of the capitalist forms of social dominations, whom the positive science never was effectively able to criticize.

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Este artigo reflete como se manifesta a crise do trabalho a partir dos discursos de universidades públicas portuguesas. A crise estrutural do fordismo-keynesianismo, com início na década de 1970, mobiliza uma série de transformações econômicas e sociais. Estas transformações apresentam-se como ajustes da economia, mas simultaneamente aprofundam as contradições essenciais da relação capital-trabalho na sociedade. Neste contexto, emerge o discurso hegemônico de uma sociedade na qual se atribui ao conhecimento um papel fundamental para o desenvolvimento econômico, reduzindo-o ao estatuto de um instrumento, cujo valor é definido pela sua utilidade nos sistemas produtivos. A análise de Programas de Ação de três universidades públicas portuguesas, nos permitiu identificar a emergência de um paradigma de ensino superior que busca adaptar as instituições às determinações dos processos globais de flexibilização da economia. Isto nos permitiu identificar que tal paradigma se fundamenta em uma perspectiva positiva e evolutiva de ciência, a qual - baseada em uma perspectiva sucessiva de tempo - assume o desenvolvimento enquanto um processo positivo e evolutivo. Nesta concepção, as contradições imanentes do desenvolvimento capitalista tornam-se superáveis pelo mero avanço do conhecimento científico e não pela crítica dos pressupostos da sua cientificidade. Neste sentido propomos a assunção de um paradigma científico do “contrabandista” que permitiria que a reflexão científica partisse das contradições da relação entre o trabalho e os saberes científicos por vias que subvertam os limites das formas de dominação social capitalista, as quais a cientificidade positiva nunca foi capaz de efetivamente criticar.

Biografia do Autor

Gabriel Henrique Idalgo, Universidade do Porto

Doutorando em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (Portugal).

José Alberto de Azevedo e Vasconcelos Correia, Universidade do Porto

Professor Catedrático da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto (Portugal).

Maria Teresa Guimarães de Medina, Universidade do Porto

Professora Auxiliar da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto (Portugal). 

Publicado
2019-02-21
Como Citar
IDALGO, G.; CORREIA, J.; MEDINA, M. T. A CRISE DO TRABALHO NOS DISCURSOS DE UNIVERSIDADES PÚBLICAS PORTUGUESAS: A EPISTEMOLOGIA DO CONTRABANDISTA NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO / The crisis of work in the speeches of Portuguese public universities: an epistemology of the smuggler in the society. Trabalho & Educação - ISSN 1516-9537 / e-ISSN 2238-037X, v. 28, n. 1, p. 13-27, 21 fev. 2019.