SENTIDO DA ESCOLA PARA ESTUDANTES PRIVADOS DE LIBERDADE

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2025.59877

Palavras-chave:

Escola, Estudantes, Sentido, Acesso escolar, Prisão

Resumo

O artigo analisa os sentidos atribuídos à escola por estudantes de um presídio de segurança máxima no Mato Grosso do Sul, articulando as relações entre escolarização, trabalho e inclusão social. Fundamentado na perspectiva histórico-cultural (Vigotski) e na Educação Popular (Freire), adota metodologia qualitativa, com entrevistas e questionários aplicados a estudantes da EJA, professores, agentes, assistente social, psicóloga e gestores. Os resultados revelam que a escola é valorizada como espaço de dignidade, autoestima e construção de novos projetos de vida, sendo diretamente associada à possibilidade de inserção no mundo do trabalho. Contudo, os relatos evidenciam que o abandono escolar esteve historicamente vinculado à necessidade de trabalhar desde cedo, revelando a contradição entre a promessa da escola como meio de ascensão social e as barreiras impostas pelas desigualdades estruturais. Conclui-se que, embora a escola no cárcere apresente potencial como espaço de mediação, formação e construção de sentidos para a vida e o trabalho, isso ainda não se efetiva como realidade concreta no contexto pesquisado, dadas as fragilidades das políticas públicas e a ausência de articulação intersetorial capaz de garantir efetivamente a continuidade dos estudos e a inserção social e laboral dos sujeitos após o cumprimento da pena.

Biografia do Autor

  • Renice Ribeiro Lopes, Universidade Estadual Paulista (UNESP)

    Doutora em Educação pelo Programa de Pós- Graduação da UNESP Campus de Rio Claro-SP. 

  • Débora Cristina Fonseca, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus Rio Claro

     Orientadora. Professora livre-docente, docente do PPGE IB/UNESP Rio Claro/SP e do PPGE-UFSCar

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Publicado

2025-12-20

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Seção

DOSSIÊ

Como Citar

SENTIDO DA ESCOLA PARA ESTUDANTES PRIVADOS DE LIBERDADE. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 34, 2025. DOI: 10.35699/2238-037X.2025.59877. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/59877. Acesso em: 15 jan. 2026.