Mediação tecnológica e a interação humana com chatbots de inteligência artificial
Palavras-chave:
Inteligência artificial, Filosofia da tecnologia, Pós-fenomenologia, Mediação tecnológica, ÉticaResumo
Neste artigo é examinada a interação entre seres humanos e chatbots de inteligência artificial (IA), a partir das contribuições da filosofia fenomenológica e pós-fenomenológica da tecnologia. O problema investigado é a crescente incorporação de sistemas de IA em domínios relacionais e subjetivos da vida humana, como saúde mental, espiritualidade e companhia emocional, e os efeitos dessa mediação sobre a constituição da subjetividade e da moralidade. O objeto de estudo são os chatbots de IA generativa utilizados em interações conversacionais. O objetivo é analisar como esses sistemas participam da constituição do sujeito moral, propondo diretrizes éticas para sua interação. A metodologia é teórico-filosófica, com base nas abordagens de Don Ihde e Peter-Paul Verbeek, complementada por referências empíricas e conceituais recentes. O estudo identifica que as tecnologias de IA, ao simular alteridade e empatia, não são neutras: moldam percepções, decisões e comportamentos, especialmente em populações vulneráveis. Os resultados indicam que a interação com IA demanda transparência ontológica, mecanismos de proteção e promoção do letramento em IA, além do cultivo de práticas de reflexão crítica por parte dos usuários. Conclui-se que o design ético e o uso consciente dessas tecnologias são fundamentais para preservar a complexidade da experiência humana, a liberdade e a dignidade dos sujeitos, em um contexto de crescente integração entre homens e máquinas.
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