Modelizando a cognição

cibernética e informação na origem das ciências cognitivas e nos destinos da inteligência artificial

Autores

Palavras-chave:

Dupuy, ciências cognitivas, cibernética, informação, máquinas digitais

Resumo

Este artigo propõe um caminho de complementação ao estudo de Jean-Pierre Dupuy realizado no livro Nas origens das ciências cognitivas, no qual o autor analisa como a cibernética proporcionou modelos fundamentais para a edificação de uma ciência geral dos processos cognitivos. Partindo da premissa do autor de que conhecer é produzir modelos capazes de estruturar operações sobre os fenômenos e funções, examinamos os principais modelos cibernéticos que fundamentaram a consolidação das ciências cognitivas: a máquina de Turing, o feedback de Rosenblueth, Wiener e Bigelow, as redes neurais de McCulloch e Pitts e a arquitetura computacional de Von Neumann. Mostramos como esses modelos permitiram conceber as operações cognitivas como análogas ou funcionalmente equivalentes às operações lógico-simbólicas realizadas por máquinas artificiais e naturais. Em seguida, analisamos as razões e as consequências da ausência, na investigação de Dupuy, de uma consideração sistemática do modelo da informação digital formulado por Claude Shannon. Argumentamos que a Teoria Matemática da Informação foi fundamental não apenas para os problemas de organização dos sistemas, mas sobretudo para os problemas de comunicação entre cérebros, máquinas e sistemas cognitivos, sendo decisiva para o desenvolvimento das ciências cognitivas e da inteligência artificial. Por fim, apontamos que a incorporação desse modelo informacional complementaria a leitura de Dupuy e nos permitiria compreender de modo mais preciso que tipo de cognição vem sendo propalada para os sistemas de inteligência artificial atuais.

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Biografia do Autor

  • Lucas Paolo Vilalta, Universidade de São Paulo

    Doutor, mestre e bacharel em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou como pesquisador bolsista da Cátedra Oscar Sala do IEA/USP no projeto "Inteligência Artificial Responsável", especializando-se em transparência de algoritmos. É autor de Simondon: uma introdução em devir e co-organizador de Máquina aberta: a mentalidade técnica de Gilbert Simondon.

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Publicado

2026-01-27

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Modelizando a cognição: cibernética e informação na origem das ciências cognitivas e nos destinos da inteligência artificial. (2026). Algoritmos & Sociedade, 1, 1-28. https://periodicos.ufmg.br/index.php/algoritmosesociedade/article/view/64082

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