Avaliação da prática de prescrição de antibióticos pelos cirurgiões-dentistas da Rede Pública de um município de médio porte

  • Ana Carolina Torres Lucchette Universidade Estadual de Campinas
  • Carla Fabiana Tenani Universidade Estadual de Campinas
  • Marília Jesus Batista Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Medicina de Jundiaí.

Resumo

Introdução: O cirurgião-dentista como um profissional da saúde, utiliza amplamente antibióticos na sua prática clínica, por isso é relevante conhecer como tem sido a prescrição desse fármaco e a influência da prescrição pelos profissionais frente à resistência bacteriana.

Objetivo: Conhecer a conduta para as prescrições de antimicrobianos pelos cirurgiões-dentistas (CDs) da rede pública, de um município de médio porte do interior do estado de São Paulo. 

Materiais e Métodos: Todos CDs da rede pública do município de Piracicaba–SP foram convidados a participar (N=79). A coleta de dados foi realizada em 2015, por meio de uma entrevista, questionário estruturado, como entrevista, nas unidades de saúde. O questionário continha questões sobre as características dos CDs, condições clínicas e sistêmicas que levariam ou não a prescrição de antibiótico, droga de escolha e forma de prescrição. Foi realizada a análise descritiva, utilizando o programa SPSS ® (Statistical Package for the Social Sciences) versão 20.0 para Microsoft Windows.

Resultados: No total, 74 CDs aceitaram participar da pesquisa, e 68,9% (N=51) relataram prescrever antimicrobianos para abscesso localizado, alveolite seca, pulpite aguda. Situações sistêmicas que necessitam de profilaxia antibiótica eram desconhecidas pelos CDs, sendo que 56,8% (N=42) não sabiam a conduta correta com a prescrição em casos de pacientes que fazem uso de bisfosfonatos e 35,0% (N=26) após a quimioterapia. A droga de escolha de 97,3% dos CDs foi a amoxicilina.

Conclusão: Os resultados obtidos pelos relatos das condutas terapêuticas permitiram concluir que houve um excesso de prescrição de antibióticos, inclusive para situções clínicas que não havia necessidade, sendo o mais receitado a amoxicilina. Deve-se pensar no desenvolvimento de estratégias públicas de educação permanente, voltadas para os profissionais de odontologia, para o controle da resistência bacteriana.

Descritores: Saúde pública. Antibióticos. Odontólogos.

Publicado
2019-07-16
Seção
Artigos