Associação entre hipermobilidade articular sistêmica e desordens temporomandibulares: uma investigação clínico-radiográfica

  • Thayane Coelho Gomes Poubel Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
  • Jean Soares Miranda Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
  • Luciano Ambrósio Ferreira Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
  • Patrícia Rocha Coelho Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
  • Josemar Parreira Guimarães Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Resumo

Objetivo: Verificar a associação de DTM em pacientes com HAS, por meio da análise de características clínicas e radiográficas, e suas principais condições clínicas de diagnóstico em indivíduos com DTM e hiperexcursão articular. Métodos: Avaliou-se uma amostra de 43 pacientes do gênero feminino, com idade entre 20 e 50 anos. Estes foram submetidos ao Critério Diagnóstico para Pesquisa em Disfunção Temporomandibular (RDC/TMD) eixo I (para diagnóstico do tipo de desordem temporomandibular), ao Teste de Beighton (para
avaliação da presença de HAS) e à avaliação de exame radiográfico do tipo planigrafia (para classificação do tipo de excursão apresentada e para observação de alterações morfológicas na cabeça da mandíbula). Os dados
foram submetidos a tratamento estatístico com os testes de Fisher e Qui quadrado (p< 0,05). Resultados: Foram encontradas associações estatisticamente significantes de HAS às seguintes condições: aplainamento
em articulação temporomandibular direita (p<0,013) e esquerda (p<0,075); DTM muscular (p<0,037); e DTM mista (muscular e articular associadas) (p<0,082). Associações borderline foram identificadas para de HAS
e osteófito em articulação temporomandibular direita (p<0,102) e esquerda (p<0,166); hiperexcursão em articulação temporomandibular esquerda (p<0,173). Conclusão: Por meio da análise foi possível concluir
que existe uma associação entre a HAS e as DTMs do tipo muscular e mista. A alteração de excursão mais frequentemente observada foi a hiperexcursão. Quando avaliadas alterações morfológicas nos componentes ósseos das ATM, verificou-se que indivíduos com HAS possuem uma maior probabilidade de manifestar alterações degenerativas do tipo aplainamento e osteófito. Por fim, constatou-se uma elevada frequência de outras dores musculoesqueletais nos pacientes.
Descritores: Síndrome da disfunção da articulação temporomandibular. Instabilidade articular.

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Biografia do Autor

Thayane Coelho Gomes Poubel, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Graduada em Odontologia, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil.
Jean Soares Miranda, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Mestrando em Clínica Odontológica, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil.
Luciano Ambrósio Ferreira, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Mestre em Clínica Odontológica, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil.
Patrícia Rocha Coelho, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Mestre em Clínica Odontológica, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil.
Josemar Parreira Guimarães, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Doutor em Ciências Odontológicas (Concentração em Ortodontia), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, .Rio de Janeiro, Brasil.

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Publicado
2016-06-30
Como Citar
Poubel, T. C. G., Miranda, J. S., Ferreira, L. A., Coelho, P. R., & Guimarães, J. P. (2016). Associação entre hipermobilidade articular sistêmica e desordens temporomandibulares: uma investigação clínico-radiográfica. Arquivos Em Odontologia, 52(2). Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/arquivosemodontologia/article/view/3705
Seção
Artigos